terça-feira, 28 de abril de 2020

Texto complementar: A educação espartana



         “Quando uma criança nascia, o pai não tinha o direito de cria-la: devia leva-la [...] [aos] anciões da tribo.  Eles examinam o bebê. Se o achavam bem encorpado e robusto, eles o deixavam. Se era mal nascido e defeituoso, jogavam-no no que se chamava Apotetos, um abismo ao pé do Taigeto, julgavam que era melhor, para ele mesmo e para a cidade, não deixar viver um entre que, desde o nascimento, não estava destinado a ser forte e saudável. [...]
         Ninguém tinha permissão para criar e educar o filho a seu gosto. Quando os meninos completavam sete anos, ele próprio [Licurgo] os tomava sob sua direção, arregimentava-os em tropas, submetia-os a um regulamento e a um regime comunitário para acostumá-los a brincar e trabalhar juntos. Na chefia, a tropa punha aquele cuja inteligência sobressaia e que se batia com mais arrojo. Este era seguido [...] e punia sem contestação. Assim sendo, a educação era um aprendizado da obediência. 
         Os anciões vigiavam os jogos das crianças. Não perdiam uma ocasião para suscitar entre eles brigas e rivalidades. [...] Ensinavam a ler e escrever apenas o estritamente necessário. O resto da educação visava acostumá-los à obediência, torná-los duros à adversidade e fazê-los vencer no combate. Do mesmo modo, quando cresciam, eles recebiam um treinamento mais severo: raspavam a cabeça, andavam descalços, brincavam nus a maior parte do tempo. [...] Quando completavam doze anos, não usavam mais camisa. Só recebiam um agasalho por ano. Negligenciavam o asseio, não conheciam banhos [...], a não ser em raros dias do ano.
         [O chefe da tropa] manda os mais fortes trazerem lenha e, os menores, legumes. Para tanto, eles devem roubar. Uns penetram nos jardins, outros nos alojamentos dos homens, e devem usar muita destreza e precaução [...]. Aquele que for apanhado está sujeito a chicotadas e jejum. Com efeito, sua alimentação é escassa. Obrigam-nos a defenderem-se por si mesmos contra as restrições e recorrer   à audácia e à destreza...”
PLUTARCO. A vida de Licurgo. In: PINSKY, Jaime. 100 textos de história antiga. São Paulo: Contexto, 2009. p. 108-110.

Responda:
1) Qual era o principal objetivo da educação dos meninos espartanos? 
2) Em Esparta, segundo Plutarco, os pais não tinham permissão para educar os filhos. Sabendo qual era o objetivo da educação dos meninos em Esparta, explique por que os anciões da tribo tomavam essa decisão.
3) Por que os anciões de Esparta costumavam provocar brigas e rivalidades entre os meninos? 

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Texto complementar: A queda da Monarquia e a Proclamação da República



A crise do Império brasileiro foi o resultado de vários fatores de ordem econômica, social e política que somando-se, conduziram importantes setores da sociedade a uma conclusão: a Monarquia precisava ser superada para dar lugar a um outro regime político, mais adaptado aos problemas da época.
A crise do Império foi marcada por uma série de questões que desembocaram na proclamação da República.
·         Questão abolicionista ( ou escravista): Os senhores de escravos, principalmente os do Vale do Paraíba e da Baixada Fluminense, não se conformaram com a abolição da escravidão e com o fato de não terem sido indenizados. Sentindo-se abandonados pela Monarquia, acabaram também abandonando-a, passando a apoiar a causa republicana. Surgem, então, os chamados Republicanos de 13 de maio.
·         Questão republicana: As ideias republicanas faziam parte de diversos movimentos brasileiros com a Inconfidência Mineira, a Conjuração Baiana, a Revolução Pernambucana, a Confederação do Equador, etc. Contudo, somente a partir de 1870, o movimento republicano ganhou uma formação mais sólida e concreta. Nesse ano, foi lançado no Rio de Janeiro um Manifesto Republicano que, em um dos seus trechos, afirmava: “Somos da América e queremos ser americanos”. Isso significava que, no continente americano, o Brasil era o único país que mantinha o regime monárquico. Três anos depois do aparecimento do Manifesto Republicano, foi fundado o Partido Republicano Paulista, na Convenção de Itu, em São Paulo. Este Partido, que se tornou um dos principais núcleos das ideias republicanas, era apoiado por importantes fazendeiros de café de São Paulo, contando com adeptos no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul.
·         Questão religiosa:  Desde o período colonial, a Igreja Católica era uma instituição submetida ao Estado pelo regime de padroado. Isso significava, entre outras coisas, que nenhuma ordem do Papa poderia vigorar no Brasil, sem que fosse aprovada pelo Imperador, o governo também nomeava os bispos e remunerava os sacerdotes. Ocorre que, em 1872, D. Vidal e D. Macedo, bispos de Olinda e de Belém, respectivamente, resolveram seguir ordens do Papa, punindo irmandades religiosas que apoiavam os maçons. D. Pedro II, influenciado pela Maçonaria, decidiu intervir na questão, solicitando aos bispos que suspendessem as punições. Estes se recusaram a obedecer ao Imperador e, por isso, foram condenados a quatro anos de prisão. Em 1875, os bispos receberam o perdão imperial e foram colocados em liberdade. Contudo, o Império foi perdendo a simpatia da Igreja.
·         Questão militar: Depois da Guerra do Paraguai (1864 -1870), o Exército brasileiro foi adquirindo cada   vez mais importância dentro da sociedade. O Governo Imperial, entretanto, teimava em não reconhecer esta importância, relegando-o a posição secundária. O descaso que alguns políticos e ministros conservadores tinham pelo Exército levava-os a punir elevados oficiais por motivos qualificados como indisciplina militar. O ponto de partida para as questões militares foi a proibição, em 1884, aos oficiais do exército de se manifestarem publicamente por meio da imprensa sem a devida licença do ministro da Guerra. É dentro deste pano de fundo que surge em 1884 a questão militar, provocada pela revolta de importantes chefes do Exército, como o Marechal Deodoro, contra as punições disciplinares conferidas ao tenente-coronel Antônio Sena Madureira e ao Coronel Ernesto Augusto da Cunha Matos. A repressão imperial aumentou a agitação política nos quarteis e empurrou ainda mais os militares para as ideias republicanas. Poucos anos depois, a corporação não hesitaria em depor a Monarquia, abrindo fogo contra seus inimigos.
No decorrer de 1889, o jornalista Quintino Bocaiúva, escolhido chefe nacional do movimento republicano, procurou se aproximar dos militares em busca de apoio na luta contra a monarquia. No dia 11 de novembro, um grupo conseguiu convencer o marechal Deodoro da Fonseca a apoiar a causa republicana. Até então, Deodoro, que não era positivista, encontrava-se relutante, devido à sua amizade com o imperador.
Ao mesmo tempo, os militares republicanos do Rio de Janeiro estabeleceram contatos com lideres civis de São Paulo, que apoiaram a ideia de um golpe para proclamar a República. Marcado para o dia 20 de novembro, ele foi antecipado. É que, no dia 14, um major espalhou o boato de que o governo decretara a prisão de Deodoro da Fonseca e de Benjamin Constant.
Na véspera de 15 de novembro, Benjamin Constant esteve na casa de Deodoro, que estava doente: “Creio que não amanhece e se morrer a revolução está gorada.”
De manhã, o moribundo da véspera era o redivivo. Deodoro dormira mal a noite, com dificuldade para respirar. Quintino  Bocaiúva e Benjamin Constant  foram busca-lo. Deodoro usava uniforme sobrecasaca, de botões dourados, sem espada. Os três, de carro, seguiram ao encontro da tropa, em frente ao Quartel-General. Ali o ministério estava reunido.
Deodoro se propunha a depor o governo, mas sem acabar com o Império nem derrubar o imperador que era seu amigo. Devido ao seu estado de saúde, só ali é que montou a cavalo. Como de praxe, ao assumir o comando da tropa, erguendo o boné, deu o grito de “Viva o imperador” que, segundo testemunhas, foi abafado por salvas de artilharia, ordenadas por Benjamin Constant.
Deodoro, doente e abatido, entra no Quartel-General e fala a Ouro Preto, presidente do Conselho de Ministros: “Vossa Excelência e seus colegas estão demitidos por haverem perseguido oficiais do Exército. Nos pântanos do Paraguai, muitas vezes atolado, sacrifiquei minha saúde em benefício da pátria...”
Ouro Preto, altivo, responde: “Maior sacrifício, general, estou fazendo, ouvindo-o falar”. Fora, ouviam-se vivas à República.
Os republicanos queriam uma declaração explícita da mudança do regime. À tarde, reuniram-se com Deodoro, na sua casa, que ainda não havia resolvido se aceitava ou não a República. Mas, quando soube que o imperador havia chamado seu inimigo Silveira Martins para formar um novo governo, Deodoro decidiu-se em favor dos republicanos e, mais tarde, assinou a proclamação acabando com o Império.

No dia seguinte, o major Frederico Sólon de Sampaio Ribeiro entregou a dom Pedro II uma comunicação, cientificando-o da proclamação da república e ordenando sua partida para a Europa, a fim de evitar conturbações políticas. Dom Pedro, após da saída dos oficiais, ditou para Franklin Américo de Meneses Dória, o barão de Loreto, e depois assinou a resposta ao marechal Deodoro: "À vista da representação escrita, que foi entregue hoje às 3h da tarde, resolvo, cedendo ao império das circunstâncias, partir com toda a minha família amanhã, deixando esta pátria, de nós estremecida, à qual me esforcei por dar constantes testemunhos de entranhado amor e dedicação durante quase meio século em que desempenhei o cargo de chefe de Estado. Ausentando-me, pois, eu com todas as pessoas da minha família, conservarei do Brasil e mais saudosa lembrança, fazendo ardentes votos por sua grandeza e prosperidade. Rio de Janeiro, 16 de novembro de 1889. dom Pedro d´Alcântara."  A família imperial brasileira exilou-se na Europa, só lhes sendo permitida a sua volta ao Brasil na década de 1920. No dia 5 de dezembro de 1891, morre em Paris, o último imperador do Brasil, Dom Pedro II. Vítima de uma pneumonia, faleceu aos 66 anos.

Adaptado de:

AZEVEDO, Gislaine Campos. História em movimento: ensino médio /Gislaine Campos Azevedo, Reinaldo Seriacopi - São Paulo: Ática. 2010.
COTRIM, Gilberto. História  do Brasil: para uma geração consciente - São Paulo. Saraiva. 1998.
PILETTI, Nelson. História e vida / Nelson Piletti, Claudino Piletti - São Paulo. Ática. 2000. 
REY, Marcos. Proclamação da República. São Paulo. Ática, 1985, p. 18.


#Questões sobre o texto:
1 – O que era o regime do padroado?
2 - O que fizeram os bispos de Olinda e de Belém em relação à maçonaria? Qual foi a reação do governo imperial em relação ao caso?
3 – Quais episódios deram origem à Questão militar? Quais as consequências da repressão imperial?
4 – Quem seriam os “republicanos de 13 de maio”? Como surgiram e como reagiram diante do Império?
5 - Explique a frase “Somos da América e queremos ser americanos” e em qual contexto ela foi usada.
6 – Porque Marechal Deodoro relutava participar do movimento republicano? Quais motivos os fizeram mudar de posição?

quinta-feira, 5 de março de 2020

Texto complementar: Conjuração Mineira (1789) X Conjuração Baiana (1798)




Ao estudarmos as revoltas coloniais, percebemos que cada um dos levantes relacionados a essa parte do passado brasileiro é marcado por características e razões muito específicas. Os maranhenses protestaram contra a falta de incentivo da Coroa; os olindenses contra o favorecimento dos comerciantes lusitanos de Recife; os mineiros contra as imposições coloniais; e os bandeirantes paulistas tentaram resistir à chegada dos lusitanos ao interior.
De fato, não podemos dizer que os sujeitos históricos daquela época sonhavam com a criação de uma nação brasileira soberana e independente. A distância entre as regiões coloniais do vasto território era um dos fatores que mais fortemente contribuíram para a ausência de tal ideologia. Ao mesmo tempo, os valores iluministas que adentraram a Europa naquela época se manifestavam nos dizeres de poucos membros da sociedade, em sua maioria, ligados à elite local.
Vistas como as duas mais expressivas revoltas do tempo colonial, a Inconfidência Mineira de 1789 e a Conjuração Baiana de 1798 ficaram conhecidas como as duas revoltas que defendiam a extinção do pacto colonial. O Pacto Colonial pode ser definido como um conjunto de regras, leis e normas que as metrópoles impunham às suas colônias durante o período colonial. Estas leis tinham como objetivo principal fazer com que as colônias só comprassem e vendessem produtos de sua metrópole. Através deste exclusivismo econômico, as metrópoles europeias garantiam seus lucros no comércio bilateral, pois compravam matérias-primas baratas e vendiam produtos manufaturados a preços elevados. De fato, as imposições lusitanas e a falta de interesse pelo desenvolvimento da economia interna motivaram mineiros e baianos a conspirar contra o domínio de Portugal. Além disso, essas duas revoltas foram ideologicamente sustentadas pelas noções dos escritos iluministas.
Apesar de terem sido frustradas pelas autoridades, a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana foram marcadas por profundas diferenças. Os participantes da revolta em Minas Gerais eram todos ligados às elites locais e pretendiam melhorar sua situação com a formação de um governo livre dos impostos e representantes do poderio metropolitano, além de afastar o perigo da cobrança da “Derrama”, a qual poderia promover a investigação de sonegações e contrabandos. Até mesmo o alferes Tiradentes, segundo alguns pesquisadores, tinha uma condição financeira relativamente confortável.
Na Bahia, a conjuração, inicialmente, teria características muito semelhantes à da revolta que aconteceu em Minas Gerais. A elite local pretendia conduzir a tomada do poder conclamando os populares a lutarem contra seus opressores. Contudo, as condições miseráveis e as propostas de transformação disseminadas anonimamente por panfletos e pasquins instigaram os populares a tomarem conta do movimento. Mulatos, escravos, brancos pobres e negros libertos se transformaram em cabeças do levante.
A perda da condição de capital e a crise da economia açucareira atingiram uma população que sofria o mais amplo leque de privações. A falta de alimentos e emprego já eram notados nos pequenos ataques feitos contra a Câmara em razão do aumento dos preços e o desenvolvimento de outros problemas. Paralelamente, a realização de saques aos armazéns e o incêndio do Pelourinho mostraram que uma necessidade de mudança partia da população mais humilde.
            No conjunto de reivindicações elaborado pelos conjurados da Bahia podemos perceber o tom popular dessa manifestação de descontentamento para com as autoridades metropolitanas. A transformação do sistema tributário, o incremento do salário dos militares de baixa patente, a liberdade comercial, a ampliação dos direitos políticos e o fim da escravidão definiam o contraste dessa revolta com a Inconfidência Mineira.
Mesmo não buscando a libertação de todo o ambiente colonial, podemos perceber que a Conjuração Baiana mostra outro lado pouco visto na historiografia do nosso país. A insatisfação daqueles que eram excluídos indica que as injustiças daquele tempo não foram sentidas de maneira passiva pelos desprivilegiados. Em contrapartida, o elitismo da Inconfidência Mineira demarca as contradições de uma elite incapaz de abrir mão de seus interesses para a construção de uma nova sociedade.

Por Rainer Sousa - Mestre em História

Questões sobre o texto:
1 - Porquê podemos dizer que a independência do Brasil não fazia parte dos interesses das revoltas ou levantes coloniais?
2 – Defina Pacto Colonial.
3 – Descreva as diferenças sociais que caracterizavam as Conjurações mineira e baiana.
4 – Quais motivações criavam um clima de revolta entre os baianos?
5 – Explique as diferenças entre as reivindicações ou interesses das Conjurações mineira e baiana.

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Texto complementar: A Inglaterra e as Treze Colônias da América.



As 13 colônias da América foram as primeiras a se tornar independentes no Novo Mundo. Foi significado a influência do Iluminismo no processo de libertação da América, à qual somaram-se outros fatores.
As relações entre os colonos e a metrópole tornaram-se críticas na segunda metade do século XVIII, quando a Coroa mudou a política tributária, aumentando os impostos, a fim de restabelecer-se financeiramente, por causa do alto custo da Guerra dos Sete Anos (1756-1763). Nessa guerra, os colonos ingleses haviam ajudado a Inglaterra a conquistar possessões francesas no norte e a oeste das colônias.
Em 1764, a Inglaterra impôs a Lei do Açúcar (sugar act), elevando o valor dos tributos sobre o açúcar e derivados da cana que não fossem oriundos das Antilhas britânicas.
Em 1765, criou a Lei do Selo (Stamp act), determinando que todos documentos, jornais e livros só podiam circular se fossem selados com o timbre do governo inglês.  Os colonos reagiram invadindo casas de fiscais e queimando documentos seladas em praça pública. Declararam que a Inglaterra não tinha direito de impor sanções às colônias, já que elas não tinham representação no parlamento inglês.
O governo inglês eliminou a Lei do Selo, mas, dois anos depois elevou os impostos de importação sobre o chá, o papel, o vidro e as tintas.
Influenciado pela burguesia, o povo reagiu, realizando vários protestos públicos. Em um deles, três manifestantes foram mortos pelas tropas inglesas. Esse episódio é conhecido como o Massacre de Boston.
Em 1773, o governo inglês concedeu o monopólio de chá em todas as colônias norte americanas à Companhia das Índias Orientais. Essa concessão eliminaria da condição de intermediários todos norte-americanos que comerciavam esse produto.

Questões sobre o texto:
I – Por que, na segunda metade do século XVIII, as relações entre os colonos norte-americanos e a metrópole tornaram-se críticas?
II – Qual foi a atitude do governo inglês em relação à Lei do Selo, quando os colonos norte-americanos reagiram contra ela?
III – O que foi o Massacre de Boston?

Texto complementar: O Iluminismo



O movimento cultural europeu do século XVIII, que apresentou novas ideias políticas, sociais e econômicas, é conhecido como Iluminismo. Por isso, esse século ficou conhecido como Século das Luzes ou ilustração.
Os pensadores iluministas defendiam a razão como fonte do conhecimento humano. Buscavam explicações racionais para o Universo e para a sociedade. Desenvolveram teorias políticas e sociais que se opunham à sociedade da época. Combatiam os governos absolutistas e os privilégios sociais, que oprimiam a burguesia e as camadas populares. Defendiam o respeito aos direitos do homem.
                As ideias iluministas representavam os anseios da burguesia, que encontrou nelas as justificativas para criticar a velha ordem, a sociedade tradicional e os seus privilégios. Os burgueses passaram a clamar pela liberdade econômica, sem a interferência do Estado, como condição necessária para a realização do comércio.
                Apoiada nesses novos ideais, a burguesia promoveu em vários países revoluções liberais contra o absolutismo real e a velha ordem política, nos fins do século XVIII. Destacaram-se a Revolução Francesa de 1789, e as lutas de libertação das colônias da América.
                Entre 1751 e 1772, o pensamento dos iluministas foi documentado na Enciclopédia, obra suprema do Iluminismo, em 34 volumes, organizada por Diderot e D’Alembert, que contaram com a colaboração de Montesquieu, Voltaire, Rousseau, Quesnay, entre outros.

Questões sobre o texto:
1 – Dê uma definição de Iluminismo.                       
2 – O que defendiam os pensadores iluministas?
3 – O Iluminismo atendia os interesses de qual classe social? Por quê?
4 – O que foram as chamadas revoluções liberais?

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Texto complementar: A divisão dos poderes



De que forma seria possível impedir a tirania?
"Existem três espécies de governo: o republicano, o monárquico e o despótico [...]. Suponho três definições, ou melhor, três fatos: o governo republicano é aquele no qual o povo em seu conjunto, ou apenas uma parte do povo, possui o poder soberano; o monárquico, aquele onde um só governa, mas através de leis fixas e estabelecidas; ao passo que, no despótico, um só, sem lei e sem regra, impõe tudo por força de sua vontade e de seus caprichos [...]. Para que não se possa abusar do poder, é preciso que, pela disposição das coisas, o poder limite o poder [...].
Existem em cada Estado três tipos de poder: o Poder Legislativo, o Poder Executivo das coisas que dependem do direito das gentes e o Poder Judiciário daqueles que dependem do direito civil.
Com o primeiro, o príncipe ou o magistrado cria leis por um tempo ou para sempre e corrige ou anula aquelas que foram feitas. Como segundo, ele faz a paz ou a guerra, envia ou recebe embaixadas, instaura a segurança, previne invasões. Com o terceiro, ele castiga os crimes, ou julga as querelas entre os particulares. [...]
A liberdade política, em um cidadão, é esta tranquilidade de espírito que provém da opinião que cada um tem sobre sua segurança; e para que se tenha liberdade é preciso que o governo seja tal que um cidadão não possa temer o outro cidadão.
Quando, na mesma pessoa ou no mesmo corpo de magistratura, o Poder Legislativo está reunido ao Poder Executivo, não existe liberdade; porque se pode temer que o mesmo monarca ou o mesmo Senado crie leis tirânicas para executá-las tiranicamente.
Tampouco existe liberdade se o poder de julgar não for separado do Poder Legislativo e do Executivo. Se estivesse unido ao Poder Legislativo, o poder sobre a vida e a liberdade dos cidadãos seria arbitrário, pois o juiz seria legislador. Se estivesse unido ao Poder Executivo, o juiz poderia ter a força de um opressor.
Tudo estaria perdido se o mesmo homem, ou o mesmo corpo dos principais, ou dos nobres, ou do povo exercesse os três poderes [...]."
MONTESQUIEU. o espírito das leis. [1748]. Disponível em www.dhnet.org.br/direitos/anthist/marcos!hdh_ montesquieu_o_espirito_das_leis.pdf. Acesso em 21 jan. 2015.

1] O livro O espírito das leis foi publicado pela primeira vez em 1748. No trecho reproduzido acima, de que maneira Montesquieu critica a organização social e política da França do período? Como seria possível conter os abusos de poder?
2] Segundo Montesquieu, quantos tipos de poder existem em cada Estado? Quais são eles? Que papéis cada um desempenha?
3] Quando ocorre a extinção da liberdade do indivíduo no Estado? Justifique sua resposta.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Texto complementar: Egito Antigo


à Leia o texto com atenção e preencha as suas lacunas:

O Egito Antigo

A civilização egípcia surgiu no meio do deserto há mais de cinco mil anos. Um deserto terrível no norte do continente ____________________, coberto de areia e muito quente. A única explicação para se desenvolver uma civilização debaixo daquele sol escaldante é a existência do imenso rio _______________, que nasce na África Central e vai atravessando o deserto até desembocar no mar Mediterrâneo. Todos os anos, na mesma época, ele enche e transborda. Suas águas alagam vastas áreas. Após algum tempo, a largura do rio volta ao seu tamanho natural. Mas aí já aconteceu o milagre da natureza: naquelas partes inundadas fica depositada uma espessa cama de húmus (matéria orgânica), formada por folhas e plantas que caem naturalmente no rio. Quando se decompõem, esses vegetais se transformam em húmus, que então fertiliza o solo. Onde ele está depositado, fica facílimo plantar. Por isso o vale o Nilo tornou-se uma das regiões mais férteis do mundo. Graças ao rio, os egípcios plantavam legumes, trigo, linho e cevada. Nas suas margens, crescia o _______________, essa planta maravilhosa servia para fazer uma espécie de papel para escrever, além de cordas, pequenos barcos e redes.
A civilização egípcia é muito antiga. Há cerca de 5 mil anos as aldeias egípcias se uniram e passaram a ser governadas por um único rei. Os reis egípcios eram chamados de ________________ e eram considerados verdadeiros ______________ na Terra, o seu poder era incontestável. Muito rico e servido por milhares de pessoas, ninguém podia contrariá-lo. Com isso, você percebe que o poder político e a religião andavam de mãos dadas.
Depois do faraó, as pessoas mais importantes e ricas eram os nobres. Os nobres ocupavam altos cargos no Estado, ajudam no governo. Podiam também ser altos sacerdotes dos templos religiosos ou então comandantes militares. Depois dos nobres, vinham os funcionários de menor categoria, como os ____________________, que eram umas das poucas pessoas que sabiam fazer contas, ler e escrever. Os ______________ eram muito habilidosos, que trabalhavam nas oficinas do rei fazendo roupas de luxo, jóias, vasos, etc., recebiam alguma consideração. O Estado lhes pagava bons salários. O grosso da população era pobre mesmo. Gente humilde, analfabeta, que vivia nas aldeias. Eram camponeses e artesãos de produtos rústicos. Existiam escravos, mas não muito numerosos.
A religião era muito importante para os egípcios, que eram _________________, cultuando uma porção de deuses. Os deuses tinham aparência humana, mas alguns tinham cabeças de animais. Os egípcios acreditavam que existia vida após a morte, que a alma voltaria a se reunir com o corpo para uma vida feliz. Para que a alma tivesse um corpo onde entrar, era preciso evitar que ele apodrecesse. Por isso quando uma pessoa morria, o cadáver era imediatamente embalsamado. O cadáver era limpo internamente e depois era banhado num caldo especial e depois enfaixado com gaze, tornando-se uma _______________. Os primeiros grandes faraós mandaram construir os maiores túmulos da história: as ________________. São construções de tijolos e pedras, a sua construção podia levar mais de trinta anos, no final elas serviriam para guardar o corpo mumificado do faraó com parte de suas riquezas para a próxima vida.

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    Aqui vai uma pequena “ colinha ” para ajudar você preencher as lacunas do texto:



Faraós, Tigre, Mesopotâmia, Brasil, Nilo, Eufrates, africano, europeu, deuses, asiático, escribas, escravos, múmia, zigurate, pirâmides, hamurábi, politeístas, sacerdote, artesãos, papiro, monoteísta.