sábado, 23 de junho de 2012

Banco de Questões: Segundo Reinado




1. (Mackenzie-SP) Contribuíram decisivamente para o surto industrial de meados do século XIX, conhecido como “Era Mauá”:
a)    a sólida política industrial, implantada pelo governo monárquico;
b)    a extinção do tráfico negreiro, que liberou capitais, bem como a Tarifa Alves Branco e os lucros obtidos com o café;
c)    o crescimento do mercado interno, devido à bem sucedida política criada pelo sistema de parceria;
d)    o apoio da elite agrária, grande incentivadora das atividades industriais;
e)    o desenvolvimento tecnológico, a qualidade da mão-de-obra e a Tarifa Silva Ferraz.

2. (Cesgranrio) A expansão da agricultura cafeeira no Oeste Paulista após 1880 introduziu uma série de mudanças na economia e nas relações sociais da Região Sudeste, entre as quais se destaca:
a)    o reforço das relações escravistas no interior das fazendas cafeicultoras, pois os escravos transferidos das fazendas açucareiras do Nordeste eram a maioria absoluta da mão-de-obra nas plantações do Oeste Paulista;
b)    o desenvolvimento de uma política governamental de distribuição de pequenas propriedades às famílias imigrantes, que plantavam café a baixos custos e o vendiam a menores preços no mercado internacional;
c)    a coexistência de grandes propriedades escravistas e monocultoras de café para exportação e pequenas propriedades de famílias imigrantes, que produziam gêneros de subsistência para os mercados urbanos;
d)    o desenvolvimento de uma política governamental de subvenção à imigração, cujo objetivo era estimular o investimento, por parte dos imigrantes, de capitais na construção de estradas de ferro e nas indústrias nascentes;
e)    a substituição do trabalho escravo pelo trabalho livre de imigrantes europeus no interior das fazendas cafeicultoras, o que permitiu uma maior lucratividade do capital cafeeiro e seu investimento em estradas de ferro, no comércio e em indústrias.

3. (UFBA) A cultura do café não apenas solucionou a crise econômica dos meados do século XIX, como possibilitou o seguinte ou os seguintes desdobramentos:
(1) Implantação e desenvolvimento de um sistema ferroviário com vistas a minimizar os sérios problemas de transporte.
(2) Introdução do trabalho livre como forma de suprir a escassez de mão-de-obra decorrente da extinção do tráfico de escravos.
(4) Dinamização das atividades comerciais de importação e exportação, possibilitando o desenvolvimento do sistema bancário.
(8) Ruptura da sociedade patriarcal tradicionalista, ocasionando o declínio dos proprietários de terra.
(16) Extinção do modelo agrário-escravista-exportador, como resultado do surto industrial ocorrido no período.
(32) Aparecimento e desenvolvimento de núcleos urbanos como resultado da complexidade crescente dos empreendimentos comerciais.

Dê como resposta a soma dos itens corretos. ( __ )

4. (Cesgranrio) "Na segunda metade do século XIX e particularmente os últimos anos do Império, é inegável que o setor urbano da economia tenha começado a atingir um desenvolvimento e uma importância capazes de diferenciá-la significativamente do setor rural (...). O grande fazendeiro paulista fazia parte de uma dinâmica econômica muito mais próxima daquilo que chamaríamos de Capitalismo. Mais acostumado com as finanças, com os créditos, possuía seus próprios esquemas de comercialização do café, não vivia nas fazendas, mas tinha sua residência nas vistosas mansões dos Campos Elísios ou de Higienópolis, na cidade de São Paulo.” (Ricardo Maranhão e Antonio Mendes Jr. Brasil Histórico)

A partir dos seus conhecimentos e da leitura do texto, deduz-se que o cultivo do café não possibilitou;
a)    um predomínio econômico dos plantadores paulistas sobre os plantadores fluminenses;
b)    um crescimento urbano populacional significativo;
c)    um atrelamento dos fazendeiros paulistas aos setores mais dinâmicos da produção;
d)    uma instrumentalização do comércio praticada pelas camadas médias da sociedade;
e)    um ganho nos “foros de nobreza”, mesmo que não pelo nascimento, pelos fazendeiros paulistas.

5. (Unirio) O envolvimento do Brasil em sucessivos conflitos na região platina, na segunda metade do século XIX, pode ser explicado pelo(a):
a)    tradicional rivalidade entre Brasil e Argentina com vistas ao controle do Estuário do Prata, culminando com a derrubada de Rosas naquele país;
b)    neutralidade do Império em relação à política uruguaia, obrigação assumida quando da independência da Cisplatina;
c)    independência do Paraguai, apoiada pela Argentina, e suas pretensões expansionistas sobre o território brasileiro;
d)    apoio inglês à restauração do Vice-Reino do Prata, criando uma unidade de domínio na região;
e)    conflito do Império Brasileiro com os países platinos em torno da competição no comércio de produtos pecuários.

6. (UFV-MG) Em 1997 o Brasil comemorou 150 anos de nascimento de Castro Alves, um poeta baiano, cujos versos simbolizam a luta pela liberdade e contra a escravidão. Com relação à escravidão e à estrutura social no Brasil, é incorreto afirmar que:
a)    houve um processo gradual de abolição da escravidão a partir de 1850 com o fim do tráfico negreiro;
b)    a mão-de-obra escrava representava a base de sustentação da economia colonial e também do Império;
c)    havia um grande contingente de homens livres e pobres vivendo sob a dependência dos grandes senhores de terra;
d)    a abolição da escravidão foi precedida de medidas restringindo o acesso à terra e ao direito de voto;
e)    a abolição da escravidão em maio de 1888 foi precedida de uma ampla discussão na sociedade, bem corno da adoção de medidas no sentido de incorporar os futuros libertos à estrutura econômica, social e política nacional.

7. (Enem) Você está estudando abolicionismo no Brasil e ficou perplexo ao ler o seguinte documento:

Texto 1
Discurso do deputado baiano Jerônimo Sodré Pereira – Brasil, 1879

No dia 5 de março de 1879, o deputado baiano Jerônimo Sodré Pereira, discursando na Câmara, afirmou que era preciso que o poder público olhasse para a condição de um milhão de brasileiros, que jazem ainda no cativeiro. Nessa altura do discurso foi aparteado por um deputado que disse: "BRASILEIROS, NÃO”.

Em seguida, você tomou conhecimento da existência do Projeto Axé (Bahia), nos seguintes termos:

Texto 2
Projeto Axé, Lição de cidadania – 1998 – Brasil
Na língua africana iorubá, axé significa força mágica. Em Salvador, Bahia, o Projeto Axé conseguiu fazer, em apenas três anos, o que sucessivos governos não foram capazes: a um custo dez vezes inferior ao de projetos governamentais, ajuda meninos e meninas de rua a construírem projetos de vida, transformando-os de pivetes em cidadãos. A receita do Axé é simples: competência pedagógica, administração eficiente, respeito pelo menino, incentivo, formação e bons salários para os educadores. Criado em 1991 pelo advogado e pedagogo italiano Cesare de Florio La Rocca, o Axé atende hoje a mais de duas mil crianças e adolescentes. A cultura afro, de forte presença na Bahia, dá o tom do Projeto Erê (entidade criança do candomblé), a parte cultural do Axé. Os meninos participam da banda mirim do Olodum, do llê Ayê e de outros blocos, jogam capoeira e têm um grupo de teatro. Todas as atividades são remuneradas; além da bolsa semanal, as crianças têm alimentação, uniforme e vale-transporte.

Com a leitura dos dois textos, você descobriu que a cidadania:
a)    jamais foi negada aos cativos e aos seus descendentes;
b)    foi obtida pelos ex-escravos tão logo a abolição foi decretada;
c)    não era incompatível com a escravidão;
d)    ainda hoje continua incompleta para milhões de brasileiros;
e)    consiste no direito de eleger deputados.


1.  (UFRJ) “A missão do governo, e principalmente do governo que representa o princípio conservador, não é guerrear e exterminar famílias, antipatizar com nomes, destruir influências que se fundam na grande propriedade, na riqueza, nas importâncias sociais; a missão de um governo conservador deve ser aproveitar essas influências no interesse público, identificá-las com a monarquia e com as instituições, dando-lhes prova de confiança para que possa dominá-las e neutralizar suas exagerações. Se representais o princípio conservador, como quereis destruir a influência que se funda na grande propriedade?” (Nabuco de Araújo, 1853; citado por Joaquim Nabuco, Um Estadista do Império, 4ª ed., 1975, p. 145)

No documento anterior, Nabuco de Araújo, um dos nomes mais expressivos da elite política imperial, revela uma preocupação com as dissidências que haviam proporcionado grande desgaste para o regime monárquico e conclama seus correligionários a lutar pela manutenção das estruturas.
a) Cite dois elementos da estrutura econômica do Brasil Império complementares à grande propriedade.
b) Explique em que consistiu a política de conciliação adotada pelo governo monárquico no Segundo Reinado.

Dica: aproveite, consulte uma biografia de Nabuco Araújo.

2. (Fuvest) É possível defender a tese de que o café é um produto que ao mesmo tempo facilitou e dificultou o início da industrialização no Brasil. Argumente sobre esta tese.

3. (Fuvest) “... esta estrada de ferro, que se abre hoje ao trânsito público, é apenas o primeiro passo de um pensamento grandioso. Esta estrada, Senhor (D. Pedro II), não deve parar e, se puder contar com a proteção de Vossa Majestade, seguramente não parará senão quando tiver assentado a mais espaçosa de suas estações às margens do rio das Velhas.” (Barão de Mauá, na inauguração da estrada de ferro Rio-Petrópolis, em 1854).
Com base no texto, comente o processo de modernização no Brasil e explicite a posição de Mau[a nesse processo.

Dica: não deixe de ler uma biografia do Barão de Mauá.

4. (Fuvest) Analise duas conseqüências da Guerra do Paraguai para a vida interna do Brasil.


5. (Unicamp) Uma jogadora de vôlei do Brasil nas Olimpíadas de Sidney fez esta declaração à imprensa: “Agora vamos pegar as cubanas, aquelas negas, e vamos ganhar delas” (O Estado de São Paulo, 27/9/2000). Ainda segundo o jornal: “A coordenadora do Programa dos Direitos Humanos do Instituto da Mulher Negra classifica as palavras da atacante como preconceituosas e alerta as autoridades para erradicarem esse tipo de comportamento, combatendo o racismo.”

a) Compare os processos de colonização ocorridas em Cuba e no Brasil, apontando suas semelhanças.
b) Qual a atividade econômica predominante em Cuba e no Nordeste brasileiro durante a colonização e suas relações com o comércio internacional?
c) Qual a condição social dos negros no Brasil depois do fim da escravidão?

Dica óbvia: você deverá consultar material sobre a história de Cuba... De qualquer maneira duas palavrinhas para a questão “b”: açúcar e escravos...

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Texto complementar: Brasil Império - Questão Religiosa e Questão Militar

A Igreja e o Exército contra o Império
Os dois pequenos textos transcritos abaixo relatam-nos como se desenvolveram duas das principais crises – a religiosa e a militar – que apressaram o fim do Império e a proclamação da República.

A batina contra o império (A Questão Religiosa)

A década de 1870 assistiu ao começo da crise que acabaria com a Monarquia constitucional no Brasil. Um episódio especialmente importante marcou a vida política brasileira no início daquela década: a chamada Questão Religiosa. Ao mesmo tempo que servia como um dos pilares básicos de sustentação do trono, a Igreja estava submetida ao Estado pelo regime de padroado, segundo o qual o imperador nomeava os bispos e remunerava os sacerdotes. Isto fazia com que, na prática, os religiosos fossem funcionários do governo. Como instituição ativa e com vida própria, porém, a Igreja mostrava-se alarmada com a presença da maçonaria, anticlerical por natureza, nos altos círculos do poder imperial. Seguindo a orientação do Vaticano, que combatia a maçonaria e as idéias liberais, os bispos de Olinda, frei Vital Maria, e de Belém, dom Antônio de Macedo Costa, proibiram que os católicos de suas dioceses participassem de atividades maçônicas, perseguiram os padres desobedientes e precipitaram uma crise de proporções nacionais. O Império, procurando demonstrar firmeza no trato com seus subordinados, posicionou-se favoravelmente aos padres punidos e, em 1874, prendeu e condenou os dois bispos a quatro anos de prisão e trabalhos forçados. A atitude da Monarquia não só originou um atrito diplomático com o Vaticano, como estimulou as forças de oposição na Igreja. Nem mesmo a anistia aos dois bispos, decretada no ano seguinte por d. Pedro II, conseguiu reverter as más relações entre o clero e o Império.

A farda contra o Império (A Questão Militar)

Os incidentes que, na década de 1870, indispuseram a Igreja e o Império estavam já mais ou menos superados quando ocorreu a chamada Questão Militar. Na realidade, foram vários episódios que deterioraram as relações entre a Monarquia e os militares e que afastaram o Exército do Governo. A oficialidade voltou  da guerra do Paraguai consciente de sua importância na vida nacional e disposta á ação política. Mais de uma década após longos anos de combate no Paraguai, os militares estavam cada vez mais desolados com a corrupção existente na vida pública e na política monarquista. Aos poucos, foram se considerando incumbidos de uma missão salvadora, em que a dignidade da farda se opunha aos políticos civis, os “casacas”, “aproveitadores da miséria do País”. O ponto de partida para as questões militares foi a proibição, em 1884, aos oficiais do Exército de se manifestarem publicamente por meio da imprensa sem a devida licença do ministro da Guerra. Entre 1884 e 1887, o Império pressionou e puniu os oficiais que desobedeceram a esta orientação. Chefes influentes como o tenente-coronel Antônio de Sena Madureira, o coronel Ernesto augusto da Cunha Matos e até mesmo o marechal de campo Manuel Deodoro da Fonseca foram perseguidos. A repressão imperial aumentou a agitação política nos quartéis e empurrou ainda mais os militares para as idéias republicanas. Poucos anos depois, a corporação não hesitaria em depor a Monarquia, abrindo fogo contra seus inimigos.

Questões sobre o texto:
I – O que era o regime de padroado?
II – O que fizeram os bispos de Olinda e de Belém em relação à maçonaria? Qual foi a atitude do governo imperial em relação ao caso?
III – Quais os episódios que deram origem à Questão Militar?
IV – O que fez o Império diante a desobediência dos militares do Exército?
V – Quais as conseqüências da repressão Imperial?

sábado, 10 de dezembro de 2011

Texto complementar: O Rio de Janeiro na época de dom João


Com a chegada da família real portuguesa e seus 15 000 acompanhantes, a vida no Rio de Janeiro sofreu grandes mudanças. É o que nos relata o texto que segue.


            Nessa época, a cidade oferecia poucas distrações: as famílias ricas iam a espetáculos, embora fossem de má qualidade, freqüentavam bailes familiares e os homens, reuniões de jogo. Praticamente não existia a vida noturna por causa da falta de iluminação.           Nas procissões e nas festas religiosas, toda a população da cidade tomava parte.
            Quando foi inaugurado o Passeio Público, algumas famílias logo o transformaram em ponto de encontro entre parentes e conhecidos que lá se reuniam à tardinha para contar os fatos do dia e as últimas notícias.
            Esse tipo de vida calma e aparentemente sem preocupações foi de um dia para o outro revolucionado pela chegada da família real portuguesa e toda a sua corte. Para atender às exigências, foram logo construí das novas casas e reformadas as existentes. Os balcões fechados com madeira trançada, as rótulas, começaram a ser substituídos por janelas com vidraças. Começaram a aparecer também residências isoladas, longe do centro, em meio a jardins, com muitas árvores e gramados.
            Seguiu-se toda uma série de modificações introduzidas pelos comerciantes vindos sobretudo da Inglaterra e da França, após a abertura dos portos. No centro da cidade, na rua do Ouvidor, instalaram-se inúmeras lojas cheias de artigos europeus e orientais, dos mais finos. Surgiram livrarias, perfumarias, tabacarias, lojas de calçados, oficinas de costureiras e de modistas, salões de barbeiros e cabeleireiros. Tudo isso foi modificando, aos poucos, gostos, hábitos e costumes da população, introduzindo na cidade noções de conforto desconhecidas até então.
            Para assegurar o progresso material foi necessário um número maior de pedreiros, carpinteiros, ferreiros, de pessoas, em suma, especializadas em vários ofícios; daí foi surgindo aos poucos uma nova camada social, a pequena classe média, intermediária entre os escravos e os ricos e nobre.
            As famílias de posses começaram a dar maior importância ao interior das casas, às peças de mobiliário, à decoração dos cômodos e, o que é importante, também aos trajes cotidianos e caseiros. Guarda-roupas e cômodas ocuparam os lugares tomados antes por arcas e baús.
            Consoles, pianos, poltronas, sofás, lustres, grandes espelhos foram importados de Londres e de Paris; na mesa tornou-se usual a louça inglesa e nas residências mais ricas adotaram-se banheiras em substituição às tinas para banho.
            A presença da corte portuguesa no Rio de Janeiro ofereceu à população oportunidades várias de divertir-se: festas, comemorações cívicas, procissões, desfiles, espetáculos teatrais mais freqüentes, concertos. A mulher pôde sair de seu isolamento, de seu mundo restrito a tarefas domésticas; nas residências particulares havia saraus, com recitais de piano e canto, danças e jogos; os parentes e vizinhos começaram a visitar-se com mais freqüência.
            A cadeirinha foi proibida de ser usada no centro da cidade para facilitar a passagem de veículos. Nas ruas, além dos coches e das seges, começaram a circular carruagens puxadas por cavalos. A cidade foi se tornando, assim, mais colorida, mais alegre e mais comunicativa.
            Com o aprimoramento do gosto, dos hábitos e dos costumes houve também um aprimoramento cultural, através de novas escolas elementares, médias e superiores abertas não só no Rio como também em outras capitais de província. A imprensa difundiu-se e os livros começaram a circular fazendo crescer o interesse pela cultura e pelos estudos.
            Daí por diante, os filhos de senhores de engenho, dos fazendeiros e dos estancieiros vieram educar-se nos centros urbanos e, aos poucos, as capitais das províncias se modificaram sob a influência das transformações do Rio de Janeiro. Mas o Rio, como capital do Império, será o pólo de atração dos grandes proprietários de terras que, após a independência, ocuparão os cargos políticos de maior projeção.
                                                                                 
                                                           Sérgio Buarque de Holanda, História do Brasil.
                                                           São Paulo, Nacional, v.1, p.148-50

Questões sobre o texto.

[ 1 ] Como era a vida no Rio de Janeiro antes da chegada de dom João?
[ 2 ] Que modificações foram feitas na cidade a partir da chegada da família real portuguesa?
[ 3 ] Por que surgiu aos poucos uma pequena classe média?
[ 4 ] O que começaram a fazer as famílias de posses?
[ 5 ] Que novas oportunidades de diversão surgiram para a população?
[ 6 ] Em termos culturais, quais as conseqüências da transferência da família real para o Rio Janeiro?

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Texto complementar: O Absolutismo

A palavra absolutismo descreve os governos monárquicos nos quais o poder do __________, por não sofrer grandes limitações ou restrições, é considerado _________________ . Atualmente, essa palavra é utilizada em referência a sistemas de governos que existiram na ________________ entre os séculos XVI e XIX, sobretudo na França e na Inglaterra. Além da concentração de poderes nas mãos do governante, os governos absolutistas foram caracterizados pela existência de uma burocracia e de um exército centralizados. Os mais famosos governos absolutistas foram o de _____________________ na Inglaterra (1509-1547) e o de __________________ na França (1643-1715).
No final da Idade Média, com a expansão do comércio e o crescimento das cidades européias, cada vez mais os monarcas assumiram papel de destaque. Pouco a pouco, o rei deixou de ser apenas mais um entre tantos senhores feudais e passou a centralizar o poder em torno de si, cuidando dos impostos e mantendo um ___________________ encarregado de garantir a segurança da população.
Alguns autores, a partir do século XVI, escreveram algumas obras com teores políticos que ajudaram a fortalecer e justificar o poder dos reis. O primeiro autor moderno a escrever uma obra exclusivamente sobre política foi Nicolau Maquiavel, que o publicou o __________________ em 1513. Segundo Maquiavel o governante “não precisa ser piedoso, fiel, humano, íntegro e religioso, bastando que aparente possuir tais qualidades. [...] Um príncipe não pode observar todas as coisas a que são obrigados os homens considerados bons, sendo freqüentemente forçado, para manter o governo, a agir contra a caridade, a fé, a humanidade, a religião [...]. o príncipe não deve se desviar do bem, se possível, mas deve estar pronto para fazer o mal, se necessário”. Na França, os inúmeros conflitos religiosos envolvendo católicos e protestantes podem ter influenciado Jean Bodin, no século XVI, e Jacques Bossuet, no século XVII, a afirmar que o poder do rei deveria ser ____________________. Segundo esses autores, os monarcas seriam representantes de Deus na Terra. Esse conjunto de idéias ficou conhecido como Teoria do ________________ Divino.
Hoje sabemos que o poder dos reis absolutistas na era, de fato, absoluto. Apesar de centralizado e forte, o poder absolutista era limitado pela tradição, pelos costumes, pela Igreja Católica, pelos privilégios da nobreza e por ___________________, que tem a função de fazer as leis e aprovar os atos do governo. 


Aqui vai uma pequena “ colinha ” para ajudar você preencher as lacunas do texto: Rei; povo; Príncipe; direito; Henrique VIII; exército; castelo; Europa; ilimitado; parlamentos; Luis XIV; limitado; absoluto; burguesia; contrato; Lutero; Brasil; Vasco da Gama; Elizabeth I; João Calvino; República.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Texto complementar: Os Bandeirantes

Você vai ler dois textos de historiadores que apresentam interpretações diferentes sobre os bandeirantes. Leia e depois responda às questões.

         Tão notável se fez a obra dos bandeirantes paulistas que, sem ela, não só o Brasil não seria tão grande em território como a nossa própria história não se teria orientado como se orientou.
(...)
         Os primeiros bandeirantes, portanto, não há dúvidas de que deram provas de grande coragem. E deve notar-se que em regra as bandeiras se compunham de mamelucos e índios mansos. Raramente iam a tais aventuras portugeses reinós. E, pois, aquela casta nova, formada de sangues tão diferentes, se mostrou capaz de grandes façanhas. Conserva-se em nossas tradições uma idéia do tipo do bandeirante: largo chapéu de palha desabado para trás, um ponche às costas e um saco de roupas, a tiracolo o chumbeiro e o polvarinho, ao ombro a espingarda, à cinta o facão; quase sempre barbas e cabelos crescidos: eis a figura daqueles novos cruzados.

POMBO, Rocha. História de São Paulo – Resumo didático. São Paulo Melhoramentos, 1918, p. 71-72, 74-76.
___//___//___

         (...) A historiografia do bandeirismo se apropriou desse elemento [o mestiço], apresentando-o com cores novas: não mais como resultado de ligações ilegítimas, não mais como o fruto da deterioração dos costumes, como era apresentado na denúncia dos padres e bispos do período colonial, mas como um homem novo, nem europeu nem índio e sim a mistura de ambos (o mameluco). Este é pinçado da categoria da escória da sociedade, onde jazia até então, e alçado à condição de herói.
(...)
Ao resgatar o mameluco e transformá-lo num ser de características excepcionais, membro da “raça de gigantes”, a historiografia do bandeirantismo resgata grande parte da população brasileira, composta de vários tipos de mestiços. Além disso, resolvia um impasse que havia atormentado a intelectualidade brasileira do século XIX, que era: como tornar desenvolvido um país povoado por mestiços e que havia sido colonizado por degredados? A miscigenação era transformada de entrave em vantagem. 

VOLPATO, Luiza. Entradas e bandeiras. São Paulo: Global, 1985, p. 17-19 (História popular, II.)

I. Quando os textos foram escritos?
II. Como o autor apresenta os bandeirantes? Que adjetivos e qualificações são atribuídos a eles? Com quem eles são comparados?
III. Qual a origem do heroísmo dos bandeirantes, segundo o autor? Você concorda com esta tese? Por quê
IV. No segundo texto, a autora defende que, a partir do século XIX, a miscigenação, que era antes considerada um entrave, passou a ser uma “vantagem”. Como isso se apresenta?
V. A quem interessava a mudança na interpretação da história brasileira, ao se referir à figura do bandeirante como herói nacional?



Vocabulário:
Reinos: provenientes do reino, ou que defendem os interesses reais.
Chumbeiro e polvarinho: lugares onde se colocavam, respectivamente, o chumbo e a pólvora usados nas armas de fogo.
Degredados: condenados europeus que vinham cumprir pena como colonos na América. 

sábado, 3 de dezembro de 2011

Texto complementar: O ciclo do ouro

A época do ouro
         Com a descoberta de metais preciosos pelos bandeirantes, iniciou-se no Brasil um novo ciclo econômico: a mineração ou ciclo do ouro, que no século XVIII provocou grandes mudanças na colônia e na política da metrópole.
A exploração do ouro ocorria de duas formas:
· Faisqueiras: pequenas extrações realizadas por uma pessoa apenas ou com um pequeno número de escravos. O ouro era extraído de depósitos superficiais, geralmente nas areias ou nos cascalhos dos rios e riachos. Era o ouro de lavagem.
· Lavras: estabelecimentos maiores onde era usado grande número de escravos. O ouro era extraído das vertentes das colinas, com instrumentos especializados.

O rigor da metrópole

         Para tirar maior proveito da exploração do ouro, a metrópole portuguesa agiu com bastante rigor não só na fiscalização, como também na cobrança dos impostos. Criou um órgão, a Intendência das Minas, para fiscalizar a administração, a distribuição das jazidas e a cobrança dos impostos.

O quinto para a Coroa.

          Portugal cobrava 20% de todo o ouro explorado; era o imposto do quinto. Para evitar -. fraudes e melhor fiscalizar a cobrança desse imposto, Portugal, em 1719, ordenou que fossem instaladas as Casas de Fundição. Os mineradores deveriam levar o ouro para uma Casa de Fundição, onde ele seria fundido em barras e já retirada a parte da Coroa. Era proibida a circulação de ouro em pó ou em pepitas. Quem não cumprisse esse regulamento , poderia ser preso, perder todos os seus bens ou ser degredado.

A descoberta dos diamantes

         Em 1729, foram descobertos diamantes no Arraial do Tijuco (atual Diamantina, em Minas Gerais). A região foi demarcada e isolada, criando-se o Distrito Diamantino.
         A exploração dos diamantes foi dada a homens de posse, que eram obrigados a pagar uma quantia anual fixa a Portugal. Mais tarde, a exploração dos diamantes ficou sob o controle direto da metrópole.

Aumentam os impostos

         Em meados do século XVIII, a mineração atingiu seu apogeu. O imposto do quinto foi fixado em 100 arrobas de ouro por ano, o que equivalia a 1.500 quilos.
         Enquanto a mineração manteve uma alta produção, os impostos eram pagos regularmente. Entretanto, no final do século, a mineração começou a declinar, não pelo esgotamento das jazidas, mas pelas dificuldades técnicas que os mineiros tinham para explorar o ouro de maior profundidade.
         Como a quantidade de ouro explorada era -. menor, os mineradores não conseguiam pagar as cotas estabelecidas. Portugal criou, então, a derrama, que era a cobrança dos impostos atrasados. Essa medida portuguesa provocou um profundo descontentamento, gerando várias revoltas, dentre as quais se destaca a Inconfidência Mineira.




Com base no texto, responda:

I – Quais eram as 2 formas de extração de ouro no Brasil, no século XVIII?

II – A metrópole portuguesa agiu com bastante rigor não só na fiscalização, como também na ___________ _________________. Criou um órgão, a ______________________________, para fiscalizar a administração, a distribuição das jazidas e a __________________________________ .

III – Como se chamava o imposto de 20% de todo o ouro explorado, cobrado por Portugal?

IV – Como ocorria a fiscalização da cobrança dos impostos sobre o ouro?

V – Coloque F para Falso e V para verdadeiro:
a) Além de ouro, também se descobriram jazidas de diamantes no Brasil. (    )
b) A exploração de diamantes foi permitida a toda a população, inclusive escravos.(    )
c) Quando a mineração no Brasil atingiu seu apogeu, o imposto do quinto foi fixado em 1.500 arrobas de ouro por ano. (    )
d) Quando a mineração começou a entrar em crise, muitos colonos ficaram devendo impostos ao governo português. (    )
e) A descoberta de metais preciosos não provou nenhuma mudança na colônia e na política da metrópole.

VI – Para a cobrança de impostos atrasados, Portugal criou a ______________. Essa medida provocou profundo ____________________, gerando várias ________________ , dentre as quais destaca a ____________________.

Texto complementar: A Inconfidência Mineira


As condições internas e externas que levaram à inconfidência Mineira, o primeiro movimento que manifestou com clareza suas intenções de romper os laços coloniais, constituem o assunto do texto que segue.

            Dentre todos os motins, conspirações, revoltas e rebeliões ocorridos no Brasil Colônia, o primeiro a realmente manifestar com clareza suas intenções de romper com os laços coloniais ocorreu em Vila Rica, Minas Gerais, entre 1788 e 1789. Ao contrário de movimentos anteriores, que muitas vezes não passaram de reivindicações parciais, a chamada Inconfidência Mineira pretendia, sobretudo, a Independência do Brasil em relação a Portugal.
            No final do século XVIII, a Capitania de Minas Gerais, a mais rica do Brasil, sentia duramente as restrições e a violência da situação colonial. Durante muitas décadas, o ouro brasileiro havia chegado em grandes quantidades aos cofres portugueses, mas agora este fluxo começava a diminuir. O "quinto", a velha taxação que obrigava os mineradores a entregarem 1/5 de todo o metal extraído para Portugal, já não bastava para satisfazer necessidades da Coroa, e os portugueses queriam mais. Ao mesmo tempo, uma série de restrições econômicas paralisava a vida da Colônia, obrigando-a a viver sem indústrias e a importar tudo o que consumia. O domínio colonial português estrangulava o dia-a-dia dos brasileiros.
No plano internacional, mudanças importantes estavam ocorrendo, novas idéias aplicadas na prática demonstravam que era possível a libertação da dominação colonial, e nas colônias da América muita gente sonhava extirpar de sua terra a violência, a opressão, a injustiça foi nesse contexto que um grupo de brasileiros - quase todos muito ricos e membros da elite de Minas Gerais - planejou um movimento capaz de transformar Brasil na primeira república independente da América do Sul.
            Um personagem vai se destacar ao longo dessa história: o alferes Joaquim José da Silva Xavier, chamado de Tiradentes, que acabaria sendo não só o mais destacado personagem da Inconfidência Mineira, como também um dos mais significativos da História do Brasil.

(Carlos Guilherme Mola. Tiradenfes e a Inconfidência Mineira. São Paulo, Ática, p. 2.)

Questões sobre o texto:
1] O que pretendia a inconfidência Mineira? 
2] Cite as principais condições internas que provocaram a revolta mineira.
3] Por que o contexto internacional favoreceu a inconfidência?