domingo, 4 de dezembro de 2011

Texto complementar: Os Bandeirantes

Você vai ler dois textos de historiadores que apresentam interpretações diferentes sobre os bandeirantes. Leia e depois responda às questões.

         Tão notável se fez a obra dos bandeirantes paulistas que, sem ela, não só o Brasil não seria tão grande em território como a nossa própria história não se teria orientado como se orientou.
(...)
         Os primeiros bandeirantes, portanto, não há dúvidas de que deram provas de grande coragem. E deve notar-se que em regra as bandeiras se compunham de mamelucos e índios mansos. Raramente iam a tais aventuras portugeses reinós. E, pois, aquela casta nova, formada de sangues tão diferentes, se mostrou capaz de grandes façanhas. Conserva-se em nossas tradições uma idéia do tipo do bandeirante: largo chapéu de palha desabado para trás, um ponche às costas e um saco de roupas, a tiracolo o chumbeiro e o polvarinho, ao ombro a espingarda, à cinta o facão; quase sempre barbas e cabelos crescidos: eis a figura daqueles novos cruzados.

POMBO, Rocha. História de São Paulo – Resumo didático. São Paulo Melhoramentos, 1918, p. 71-72, 74-76.
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         (...) A historiografia do bandeirismo se apropriou desse elemento [o mestiço], apresentando-o com cores novas: não mais como resultado de ligações ilegítimas, não mais como o fruto da deterioração dos costumes, como era apresentado na denúncia dos padres e bispos do período colonial, mas como um homem novo, nem europeu nem índio e sim a mistura de ambos (o mameluco). Este é pinçado da categoria da escória da sociedade, onde jazia até então, e alçado à condição de herói.
(...)
Ao resgatar o mameluco e transformá-lo num ser de características excepcionais, membro da “raça de gigantes”, a historiografia do bandeirantismo resgata grande parte da população brasileira, composta de vários tipos de mestiços. Além disso, resolvia um impasse que havia atormentado a intelectualidade brasileira do século XIX, que era: como tornar desenvolvido um país povoado por mestiços e que havia sido colonizado por degredados? A miscigenação era transformada de entrave em vantagem. 

VOLPATO, Luiza. Entradas e bandeiras. São Paulo: Global, 1985, p. 17-19 (História popular, II.)

I. Quando os textos foram escritos?
II. Como o autor apresenta os bandeirantes? Que adjetivos e qualificações são atribuídos a eles? Com quem eles são comparados?
III. Qual a origem do heroísmo dos bandeirantes, segundo o autor? Você concorda com esta tese? Por quê
IV. No segundo texto, a autora defende que, a partir do século XIX, a miscigenação, que era antes considerada um entrave, passou a ser uma “vantagem”. Como isso se apresenta?
V. A quem interessava a mudança na interpretação da história brasileira, ao se referir à figura do bandeirante como herói nacional?



Vocabulário:
Reinos: provenientes do reino, ou que defendem os interesses reais.
Chumbeiro e polvarinho: lugares onde se colocavam, respectivamente, o chumbo e a pólvora usados nas armas de fogo.
Degredados: condenados europeus que vinham cumprir pena como colonos na América. 

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