sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Projeto - Teatro do Dia Nacional da Consciência Negra.

Um pequeno apoio para os colegas professores que pretendem realizar algumas atividades em comemoração ao mês ou mesmo ao dia que celebra-se a Consciência Negra no Brasil, é sabido que o estudo da história e das manifestações culturais que estão relacionadas a cultura afro-brasileira devem ser trabalhadas durante todo o ano letivo, mas também não é segredo que durante o mês de novembro, especialmente no dia 20 (Dia Nacional da Consciência Negra) as escolas reservam um espaço em suas programações pra destacar a temática. Pensando nisso, rascunhei um pequeno texto (que humildemente chamo de teatral) que talvez possa ajudar os colegas professores a trabalhar o tema. O texto está sendo disponibilizado para quem interessar usá-lo, pode ser alterado ou acrescentado, de acordo com sua necessidade ou criatividade, apenas peço que seja dado crédito ao autor e que aqueles que por ventura realizarem o teatrinho, me informem pelo blog, e-mail, Twitter ou Facebook, se possível com fotos da apresentação, para que eu possa matar a minha curiosidade e ver se realmente a ideia foi proveitosa. 


Apresentador: O apresentador deverá falar sobre a importância de se trabalhar o tema na escola, sobre a lei 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que define as orientações sobre o estudo da História afro-brasileira e da história da África e dos africanos e a da importância do dia Nacional da Consciência Negra.

Cena 01:
Professor: Bom dia turma! Hoje, dia 20 de novembro, comemora-se o Dia Nacional da Consciência Negra, pois nesse mesmo dia morreu...

Aluno 1: “Oô fessô”, com licença! Me desculpe! Mas sai ano, entra ano e ouço falar de dia da Consciência Negra, mas nunca consegui entender por que esse dia é tão importante, nem feriado é.

Aluno 2: Então deixa o professor explicar, uai!

Aluno 3: Sai pra lá, puxa saco!

Todos: Murmurinho de briga.

Professor: Calma, calma turma!

Aluno 1: (Levanta a mão) Desculpa professor, eu não queria arrumar confusão, eu sou novo nessa escola, mas por onde passei, nesse dia eu só via uns cartazes com imagens de escravos, algumas frases e nada mais.

Professor: Infelizmente mesmo sendo tão importante, poucos dão valor a este dia, na maioria das vezes porque não conhecem o seu significado histórico. 

Aluno 4: Mas se o dia é para ser comemorado hoje, pra que falar em história, essas coisas que aconteceram a centenas de anos e não nos serve para nada?

Professor: Engano seu meu jovem, se nós podemos comemorar esse dia é por causa da luta histórica dos negros, desde aqueles que chegaram nos navios “tumbeiros”, os que sofreram nos quase quatro séculos de escravidão no Brasil, até os que buscam um espaço nessa sociedade de hoje.

Aluno 5: (Levanta a mão) Navios tumbeiros? Mas não são Navios Negreiros, professor?

Aluno 4: E a escravidão? Foi tão dura assim?

Professor: Acredito que a escravidão foi muito mais dura e perversa que os livros nos contam, imagine só: você está trabalhando tranqüilo em sua aldeia, junta a sua família, e de repente chega um grupo de pessoas e capturam vocês, os espancam, amarram a todos, os fazem andar quilômetros até chegarem a um porto e os colocam em um navio cheia de gente estranha...

Aluno 5: Os Navios negreiros?


Professor: Sim! Isso mesmo! Navios negreiros! Mas também são chamados de tumbeiros, pois boa parte das pessoas que foram amontoadas em seu porão, frio e fedorento, eram alimentadas com uma comida horrível e escassa, muitas dessas pessoas não sobreviviam a esta viagem, morriam de doenças ou até suicidavam-se e não chegaram ao seu desconhecido destino, na verdade era só o começo do inferno.

Aluno 2: Então professor? Quer dizer que todos os negros no Brasil são descendentes de escravos?

Professor: Não! “Não são descendentes de escravos! São descendentes de seres humanos que foram escravizados.” É bom lembrar que os indígenas também sofreram muito com a escravidão.

Aluno 3: Então parece que eles sofreram bastante mesmo!

Professor: A condição do escravo sempre foi de humilhação, dor, sofrimento e violência. Acredito que vocês possam imaginar isso!

Fechamento da Cena 01: Se possível utilizar um vídeo mostrando o navio negreiro (Cena do filme Amistad) e imagens de escravos no Brasil, utilizar a música “Retirantes” da novela Escrava Isaura e ao mesmo tempo entrariam alguns alunos representando escravos sendo açoitados e humilhados.

Cena 02:
Aluno 01: Acho que consegui imaginar o martírio dessas pessoas!

Professor: Sem falar que aqueles que chegavam ao Brasil, por exemplo, eram leiloados para trabalharem até 16 horas por dia, nas lavouras de cana, café ou nas minas de ouro e diamante e outras diversas atividades, nos períodos colonial e imperial de nossa história, praticamente todo trabalho braçal era feito por escravos.

Aluno 03: Mas a princesa Isabel assinou a tal lei, acabou a escravidão e acabou o sofrimento. Não é?

Professor: Infelizmente não! Nesses quase quatrocentos anos de escravidão no Brasil, os negros se rebelaram, fugiram, lutaram contra o cativeiro, mas, depois da Lei Áurea, que pôs fim à escravidão começou outra luta, agora para o negro ser reconhecido como cidadão.

Aluno 02: Como assim professor?

Professor: A escravidão acabou, mas a mentalidade escravocrata e racista permaneceu em nossa sociedade, especialmente entre as elites, que viam o negro como bandido, vagabundo e agora sem saber o seu lugar.

Fechamento da cena 02: utilizar um vídeo mostrando imagens mis recentes, ligadas ao preconceito, racismo e miséria. Utilizar como fundo a música “Esse negro não se enxerga – botocotó” da novela Sinhá Moça. Utilizar um grupo de alunos vestidos com roupas contemporâneas, mostrando classes sócias diferentes, mas enxotando um negro e talvez fazendo algumas ações da canção.

Cena 03:
Aluno 01: É por isso que comemorasse o Dia da Consciência Negra em nosso país?

Professor: Isso mesmo. Nesse dia rememoramos a luta dos negros escravizados e seus descendentes, luta por direitos, dignidade e valorização de sua cultura. Honramos a luta de Zumbi dos Palmares, Ganga-Zumba, Anastácia, Luiz Gama, Abdias do Nascimento, entre outros que deram suas vidas por uma causa, a de ver o negro livre e respeitado.

Professor: Pena que foi através da escravidão que os negros africanos chegaram ao Brasil, por que junto com os europeus e os índios, ajudaram a fazer do Brasil um país miscigenado, multicultural e lindo.

Fechamento do teatro: Utilizar um vídeo com a música “o Brasil é isso aí” de Arlindo Cruz e Marcelo D2, a ideia é que todos que participaram do teatro venham a frente e dancem ou pelos menos se mecham.

Apresentador: Talvez seria interessante o apresentador citar durante a música algumas contribuições dos povos africanos para  a cultura brasileira, como por exemplo a capoeira, o samba, o maracatu, o candomblé  alguns pratos típicos, algumas palavras do nosso vocabulário, etc.

Professor Pedro Paulo Dias
www.historiapensante.blogspot.com 

domingo, 9 de setembro de 2012

Resumo - Primeira Guerra Mundial.


A Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918)

Principais causas:
Rivalidade anglo-alemã: A rivalidade entre a Alemanha e a Inglaterra teve origem na competição industrial e comercial. Após a unificação, a Alemanha. Passou a disputar mercados com os ingleses e se transformou em uma das maiores potências da Europa
Rivalidade franco-alemã: Em 1871, a França foi obrigada a ceder a Alsácia-Lorena (região rica em carvão e ferro) ao recém unificado Império Alemão, após a derrota francesa na Guerra Franco-prussiana, conforme previa o Tratado de Frankfurt em 1871. Logo nasceu na França a ideia de vingança, de revanche (o Revanchismo Francês), com o objetivo de recuperar Alsácia-Lorena e vingar a derrota na guerra.
Política de alianças: Por meio de acordos econômicos, políticos e militares, dois blocos opostos foram criados: a Tríplice Aliança, formada por Alemanha, Império Austro-Hungaro e Itália, também conhecidos como Império Centrais, e a Tríplice Entente, por Rússia, França e Grã-Bretanha. Esse sistema de blocos tornou-se uma bomba relógio quando as tensões entre os países tonaram-se incontroláveis.
Corrida armamentista: Os anos anteriores à eclosão da guerra em 1914 receberam o nome de Paz Armada porque a indústria bélica aumentou consideravelmente os seus recursos, produzindo novas tecnologias para a guerra. Além disso, quase todas as nações europeias adotaram o serviço militar obrigatório, incentivando assim o sentimento nacionalista e militarista.
A disputa colonial: buscando novos mercados para a venda de seus produtos,  e também pelo domínio de áreas fornecedoras de matérias-primas e fontes de energia, os países industrializados entravam em choque pela conquista de colônias na África e na Ásia.
Exacerbação do nacionalismo: O período que antecedeu a Primeira Guerra Mundial  foi marcado por uma exacerbação do nacionalismo. As potências, de modo geral, cultivavam um discurso e uma mentalidade baseados em suas glórias militares, no poder bélico e na supremacia nacional.
Nacionalismo da Sérvia: Á Sérvia era uma pequena nação eslava independente, situada na região dos Bálcãs. O seu objetivo era reunir todos os povos eslavos em um só Estado. O projeto sérvio contrariava os interesses da Áustria e da Turquia. A Rússia era aliada da Sérvia. Os alemães, também interessados na região, pretendiam construir a ferrovia Berlim-Bagdá para ter acesso direto ao petróleo da Mesopotâmia (atual Iraque), acabando com a primazia dos ingleses. 
Rivalidade austro-russa: A Rússia desejava dominar o Império Turco-Otamano, a fim de obter uma saída para o mar Mediterrâneo, e, também, controlar a península Balcânica. Para justificar esse expansionismo, criou o pan-eslavismo movimente político segundo o qual a Rússia tinha o "direito" de defender e proteger as pequenas nações eslavas da península Balcânica.

A situação conflituosa entre o final do século XIX e o início do século XX deu origem à chamada paz armada. Como o risco de guerra era bastante grande, as principais potências trataram de estimular a produção de armas e de fortalecer seus exércitos. Foi um momento de intensa corrida armamentista, quando a Tríplice Aliança (Alemanha, Império Austro-Húngaro e o Império Turco-Otomano) ampliava sua capacidade bélica, e a Tríplice Entente (Rússia, França e Inglaterra) buscava equipar-se. A indústria bélica aumentou consideravelmente os seus recursos, produzindo novas tecnologias para a guerra. Além disso, quase todas as nações europeias adotaram o serviço militar obrigatório, incentivando assim o sentimento nacionalista.

A explosão da guerra mundial

Assassinato de Francisco Ferdinando (Sarajevo, Bósnia, 28/06/1914): foi o estopim que detonou a Primeira Guerra Mundial, quando as tensões entre os dois blocos de países haviam crescido a um nível insuportável.

Principais fases: primeira fase (1914/1915) movimentação de tropas e equilíbrio entre as forças rivais; segunda fase (1915/1917) guerra de trincheiras; terceira fase (1917-1918) entrada dos Estados Unidos, ao lado da França e da Inglaterra, e derrota da Alemanha.

Entrada da Itália – A Itália, membro da Tríplice Aliança, manteve-se neutra até que, em 1915, sob promessa de receber territórios austríacos, entro na guerra ao lado de franceses e ingleses.
Saída da Rússia – Com o triunfo da Revolução Russa de 1917, onde os bolcheviques estabeleceram-se no poder, foi assinado um acordo com a Alemanha para oficializar sua retirada do grande conflito. Este acordo chamou-se Tratado de Brest-Litovsk, que impôs duras condições para a Rússia.
Entrada dos Estados Unidos – Os norte-americanos tinham muito investimentos nesta guerra com seus amigos aliados (Inglaterra e França), os países da Entente adquiriam armas, munições, combustíveis, remédios, etc. dos EUA para pagarem após a guerra. Era preciso garantir o recebimento de tais investimentos. Os norte-americanos também tinham receio de uma possível vitória alemã, pois a Alemanha poderia se tornar uma mega potencia colonial, industrial e bélica, sendo impossível de derrotá-la no futuro. Utilizou-se como pretexto o afundamento do navio “Lusitânia”, que conduzia passageiros norte-americanos.
Participação do Brasil – Os alemães, diante da superioridade naval da Inglaterra, resolveram empreender uma guerra submarina sem restrições. Na noite de 3 de abril de 1917, o navio brasileiro “Paraná” foi atacado pelos submarinos alemães perto de Barfleur, na França. O Brasil, presidido por Wenceslau Brás, rompeu as relações com Berlim e revogou sua neutralidade na guerra. Novos navios brasileiros foram afundados. No dia 25 de outubro, quando recebeu a noticia do afundamento do navio “Macau”, o Brasil declarou guerra à Alemanha. Enviou auxilio à esquadra inglesa no policiamento do Atlântico e uma missão médica.

Consequências da guerra: a) O aparecimento de novas nações; b) Desmembramento do império Austro- Húngaro; c) A hegemonia do militarismo francês, em decorrência do desarmamento alemão; d) A Inglaterra dividiu sua hegemonia marítima com os Estados Unidos; e) O enriquecimento dos Estados Unidos; f) A depreciação do marco alemão, que baixou à milionésima parte do valor, e a baixa do franco e do dólar; g) O surgimento do fascismo na Itália e do Nazismo na Alemanha.

Os "14 Pontos do Presidente Wilson"

Em mensagem enviada ao Congresso americano em 8 de janeiro de 1918, o Presidente Wilson sumariou sua plataforma para a Paz que concebia:
1) "acordos públicos, negociados publicamente", ou seja a abolição da diplomacia secreta; 2) liberdade dos mares; 3) eliminação das barriras econômicas entre as nações; 4) limitação dos armamentos nacionais "ao nível mínimo compatível com a segurança"; 5) ajuste imparcial das pretensões coloniais, tendo em vista os interesses dos povos atingidos por elas; 6) evacuação da Rússia; 7) restauração da independência da Bélgica; 8) restituição da Alsácia e da Lorena à França; 9) reajustamento das fronteiras italianas, "seguindo linhas divisórias de nacionalidade claramente reconhecíveis"; 10) desenvolvimento autônomo dos povos da Áutria-Hungria; 11) restauração da Romênia, da Sérvia e do Montenegro, com acesso ao mar para Sérvia; 12) desenvolvimento autônomo dos povos da Turquia, sendo os estreitos que ligam o Mar Negro ao Mediterrâneo "abertos permanentemente"; 13) uma Polônia independente, "habitada por populações indiscutivelmente polonesas" e com acesso para o mar; e 14) uma Liga das Nações, órgão internacional que evitaria novos conflitos atuando como árbitro nas contendas entre os países.

Os "14 pontos" não previam nenhuma séria sanção para com os derrotados, abraçando a idéia de uma Paz "sem vencedores nem vencidos". No terreno prático, poucas propostas de Wilson foram aplicadas, pois o desejo de uma "vendetta" por parte da Inglaterra e principalmente da França prevaleceram sobre as intenções americanas.

O Tratado de Versalhes: conjunto de decisões tomadas no palácio de Versalhes no período de 1919 a 1920. As nações vencedoras da guerra, lideradas por Estados Unidos, França e Inglaterra, impuseram duras condições à Alemanha derrotada (é importante ressaltar que os EUA não ratificaram o Tratado Versalhes, consideravam excessivas a quantidade de reparações impostas à Alemanha). O desejo dos alemães de superar as condições humilhantes desse tratado desempenhou papel importante entre as causas da Segunda Guerra Mundial:

·         Restituir a região da Alsácia-Lorena à França.
·         Ceder outras regiões à Bélgica, à Dinamarca e à Polônia (corredor polonês).
·         Ceder todas as colônias.
·         Ceder à França a propriedade inteira e absoluta das minas de carvão situadas na baixia do Sarre.
·         Entregar quase todos seus navios mercantes à França, à Inglaterra e à Bélgica.
·         Pagar uma enorme indenização em dinheiro aos países vencedores (33 milhões de dólares).
·         Seu exército foi limitado a 100 mil voluntários, e o recrutamento militar foi proibido.
·         Reduzir seu poderio militar sendo proibida de possuir aviação militar, submarinos, artilharia pesada e tanques.
·         Reconhecer a independência da Áustria.
·         Reconhecer a independência da Polônia
·         Considerada a grande culpada pela guerra.

A formação da Liga das Nações: em 28 de abril de 1919, a Conferência de Pás de Versalhes aprovou a criação da Liga das Nações, com a missão de agir como mediadora nos casos de conflito internacional, preservando a paz mundial. Entretanto, sem a participação de países importantes como os Estados Unidos, União Soviética e Alemanha, a liga revelou-se um organismo impotente.

A ascensão econômica dos Estados Unidos no pós-guerra: os Estados unidos alcançaram significativo desenvolvimento econômico através da exportação de produtos industrializados. A Europa tornou-se dependente dos produtos americanos.
liciamento do Atlântico e uma missão médica.

sábado, 23 de junho de 2012

Banco de Questões: Segundo Reinado




1. (Mackenzie-SP) Contribuíram decisivamente para o surto industrial de meados do século XIX, conhecido como “Era Mauá”:
a)    a sólida política industrial, implantada pelo governo monárquico;
b)    a extinção do tráfico negreiro, que liberou capitais, bem como a Tarifa Alves Branco e os lucros obtidos com o café;
c)    o crescimento do mercado interno, devido à bem sucedida política criada pelo sistema de parceria;
d)    o apoio da elite agrária, grande incentivadora das atividades industriais;
e)    o desenvolvimento tecnológico, a qualidade da mão-de-obra e a Tarifa Silva Ferraz.

2. (Cesgranrio) A expansão da agricultura cafeeira no Oeste Paulista após 1880 introduziu uma série de mudanças na economia e nas relações sociais da Região Sudeste, entre as quais se destaca:
a)    o reforço das relações escravistas no interior das fazendas cafeicultoras, pois os escravos transferidos das fazendas açucareiras do Nordeste eram a maioria absoluta da mão-de-obra nas plantações do Oeste Paulista;
b)    o desenvolvimento de uma política governamental de distribuição de pequenas propriedades às famílias imigrantes, que plantavam café a baixos custos e o vendiam a menores preços no mercado internacional;
c)    a coexistência de grandes propriedades escravistas e monocultoras de café para exportação e pequenas propriedades de famílias imigrantes, que produziam gêneros de subsistência para os mercados urbanos;
d)    o desenvolvimento de uma política governamental de subvenção à imigração, cujo objetivo era estimular o investimento, por parte dos imigrantes, de capitais na construção de estradas de ferro e nas indústrias nascentes;
e)    a substituição do trabalho escravo pelo trabalho livre de imigrantes europeus no interior das fazendas cafeicultoras, o que permitiu uma maior lucratividade do capital cafeeiro e seu investimento em estradas de ferro, no comércio e em indústrias.

3. (UFBA) A cultura do café não apenas solucionou a crise econômica dos meados do século XIX, como possibilitou o seguinte ou os seguintes desdobramentos:
(1) Implantação e desenvolvimento de um sistema ferroviário com vistas a minimizar os sérios problemas de transporte.
(2) Introdução do trabalho livre como forma de suprir a escassez de mão-de-obra decorrente da extinção do tráfico de escravos.
(4) Dinamização das atividades comerciais de importação e exportação, possibilitando o desenvolvimento do sistema bancário.
(8) Ruptura da sociedade patriarcal tradicionalista, ocasionando o declínio dos proprietários de terra.
(16) Extinção do modelo agrário-escravista-exportador, como resultado do surto industrial ocorrido no período.
(32) Aparecimento e desenvolvimento de núcleos urbanos como resultado da complexidade crescente dos empreendimentos comerciais.

Dê como resposta a soma dos itens corretos. ( __ )

4. (Cesgranrio) "Na segunda metade do século XIX e particularmente os últimos anos do Império, é inegável que o setor urbano da economia tenha começado a atingir um desenvolvimento e uma importância capazes de diferenciá-la significativamente do setor rural (...). O grande fazendeiro paulista fazia parte de uma dinâmica econômica muito mais próxima daquilo que chamaríamos de Capitalismo. Mais acostumado com as finanças, com os créditos, possuía seus próprios esquemas de comercialização do café, não vivia nas fazendas, mas tinha sua residência nas vistosas mansões dos Campos Elísios ou de Higienópolis, na cidade de São Paulo.” (Ricardo Maranhão e Antonio Mendes Jr. Brasil Histórico)

A partir dos seus conhecimentos e da leitura do texto, deduz-se que o cultivo do café não possibilitou;
a)    um predomínio econômico dos plantadores paulistas sobre os plantadores fluminenses;
b)    um crescimento urbano populacional significativo;
c)    um atrelamento dos fazendeiros paulistas aos setores mais dinâmicos da produção;
d)    uma instrumentalização do comércio praticada pelas camadas médias da sociedade;
e)    um ganho nos “foros de nobreza”, mesmo que não pelo nascimento, pelos fazendeiros paulistas.

5. (Unirio) O envolvimento do Brasil em sucessivos conflitos na região platina, na segunda metade do século XIX, pode ser explicado pelo(a):
a)    tradicional rivalidade entre Brasil e Argentina com vistas ao controle do Estuário do Prata, culminando com a derrubada de Rosas naquele país;
b)    neutralidade do Império em relação à política uruguaia, obrigação assumida quando da independência da Cisplatina;
c)    independência do Paraguai, apoiada pela Argentina, e suas pretensões expansionistas sobre o território brasileiro;
d)    apoio inglês à restauração do Vice-Reino do Prata, criando uma unidade de domínio na região;
e)    conflito do Império Brasileiro com os países platinos em torno da competição no comércio de produtos pecuários.

6. (UFV-MG) Em 1997 o Brasil comemorou 150 anos de nascimento de Castro Alves, um poeta baiano, cujos versos simbolizam a luta pela liberdade e contra a escravidão. Com relação à escravidão e à estrutura social no Brasil, é incorreto afirmar que:
a)    houve um processo gradual de abolição da escravidão a partir de 1850 com o fim do tráfico negreiro;
b)    a mão-de-obra escrava representava a base de sustentação da economia colonial e também do Império;
c)    havia um grande contingente de homens livres e pobres vivendo sob a dependência dos grandes senhores de terra;
d)    a abolição da escravidão foi precedida de medidas restringindo o acesso à terra e ao direito de voto;
e)    a abolição da escravidão em maio de 1888 foi precedida de uma ampla discussão na sociedade, bem corno da adoção de medidas no sentido de incorporar os futuros libertos à estrutura econômica, social e política nacional.

7. (Enem) Você está estudando abolicionismo no Brasil e ficou perplexo ao ler o seguinte documento:

Texto 1
Discurso do deputado baiano Jerônimo Sodré Pereira – Brasil, 1879

No dia 5 de março de 1879, o deputado baiano Jerônimo Sodré Pereira, discursando na Câmara, afirmou que era preciso que o poder público olhasse para a condição de um milhão de brasileiros, que jazem ainda no cativeiro. Nessa altura do discurso foi aparteado por um deputado que disse: "BRASILEIROS, NÃO”.

Em seguida, você tomou conhecimento da existência do Projeto Axé (Bahia), nos seguintes termos:

Texto 2
Projeto Axé, Lição de cidadania – 1998 – Brasil
Na língua africana iorubá, axé significa força mágica. Em Salvador, Bahia, o Projeto Axé conseguiu fazer, em apenas três anos, o que sucessivos governos não foram capazes: a um custo dez vezes inferior ao de projetos governamentais, ajuda meninos e meninas de rua a construírem projetos de vida, transformando-os de pivetes em cidadãos. A receita do Axé é simples: competência pedagógica, administração eficiente, respeito pelo menino, incentivo, formação e bons salários para os educadores. Criado em 1991 pelo advogado e pedagogo italiano Cesare de Florio La Rocca, o Axé atende hoje a mais de duas mil crianças e adolescentes. A cultura afro, de forte presença na Bahia, dá o tom do Projeto Erê (entidade criança do candomblé), a parte cultural do Axé. Os meninos participam da banda mirim do Olodum, do llê Ayê e de outros blocos, jogam capoeira e têm um grupo de teatro. Todas as atividades são remuneradas; além da bolsa semanal, as crianças têm alimentação, uniforme e vale-transporte.

Com a leitura dos dois textos, você descobriu que a cidadania:
a)    jamais foi negada aos cativos e aos seus descendentes;
b)    foi obtida pelos ex-escravos tão logo a abolição foi decretada;
c)    não era incompatível com a escravidão;
d)    ainda hoje continua incompleta para milhões de brasileiros;
e)    consiste no direito de eleger deputados.


1.  (UFRJ) “A missão do governo, e principalmente do governo que representa o princípio conservador, não é guerrear e exterminar famílias, antipatizar com nomes, destruir influências que se fundam na grande propriedade, na riqueza, nas importâncias sociais; a missão de um governo conservador deve ser aproveitar essas influências no interesse público, identificá-las com a monarquia e com as instituições, dando-lhes prova de confiança para que possa dominá-las e neutralizar suas exagerações. Se representais o princípio conservador, como quereis destruir a influência que se funda na grande propriedade?” (Nabuco de Araújo, 1853; citado por Joaquim Nabuco, Um Estadista do Império, 4ª ed., 1975, p. 145)

No documento anterior, Nabuco de Araújo, um dos nomes mais expressivos da elite política imperial, revela uma preocupação com as dissidências que haviam proporcionado grande desgaste para o regime monárquico e conclama seus correligionários a lutar pela manutenção das estruturas.
a) Cite dois elementos da estrutura econômica do Brasil Império complementares à grande propriedade.
b) Explique em que consistiu a política de conciliação adotada pelo governo monárquico no Segundo Reinado.

Dica: aproveite, consulte uma biografia de Nabuco Araújo.

2. (Fuvest) É possível defender a tese de que o café é um produto que ao mesmo tempo facilitou e dificultou o início da industrialização no Brasil. Argumente sobre esta tese.

3. (Fuvest) “... esta estrada de ferro, que se abre hoje ao trânsito público, é apenas o primeiro passo de um pensamento grandioso. Esta estrada, Senhor (D. Pedro II), não deve parar e, se puder contar com a proteção de Vossa Majestade, seguramente não parará senão quando tiver assentado a mais espaçosa de suas estações às margens do rio das Velhas.” (Barão de Mauá, na inauguração da estrada de ferro Rio-Petrópolis, em 1854).
Com base no texto, comente o processo de modernização no Brasil e explicite a posição de Mau[a nesse processo.

Dica: não deixe de ler uma biografia do Barão de Mauá.

4. (Fuvest) Analise duas conseqüências da Guerra do Paraguai para a vida interna do Brasil.


5. (Unicamp) Uma jogadora de vôlei do Brasil nas Olimpíadas de Sidney fez esta declaração à imprensa: “Agora vamos pegar as cubanas, aquelas negas, e vamos ganhar delas” (O Estado de São Paulo, 27/9/2000). Ainda segundo o jornal: “A coordenadora do Programa dos Direitos Humanos do Instituto da Mulher Negra classifica as palavras da atacante como preconceituosas e alerta as autoridades para erradicarem esse tipo de comportamento, combatendo o racismo.”

a) Compare os processos de colonização ocorridas em Cuba e no Brasil, apontando suas semelhanças.
b) Qual a atividade econômica predominante em Cuba e no Nordeste brasileiro durante a colonização e suas relações com o comércio internacional?
c) Qual a condição social dos negros no Brasil depois do fim da escravidão?

Dica óbvia: você deverá consultar material sobre a história de Cuba... De qualquer maneira duas palavrinhas para a questão “b”: açúcar e escravos...

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Texto complementar: Brasil Império - Questão Religiosa e Questão Militar

A Igreja e o Exército contra o Império
Os dois pequenos textos transcritos abaixo relatam-nos como se desenvolveram duas das principais crises – a religiosa e a militar – que apressaram o fim do Império e a proclamação da República.

A batina contra o império (A Questão Religiosa)

A década de 1870 assistiu ao começo da crise que acabaria com a Monarquia constitucional no Brasil. Um episódio especialmente importante marcou a vida política brasileira no início daquela década: a chamada Questão Religiosa. Ao mesmo tempo que servia como um dos pilares básicos de sustentação do trono, a Igreja estava submetida ao Estado pelo regime de padroado, segundo o qual o imperador nomeava os bispos e remunerava os sacerdotes. Isto fazia com que, na prática, os religiosos fossem funcionários do governo. Como instituição ativa e com vida própria, porém, a Igreja mostrava-se alarmada com a presença da maçonaria, anticlerical por natureza, nos altos círculos do poder imperial. Seguindo a orientação do Vaticano, que combatia a maçonaria e as idéias liberais, os bispos de Olinda, frei Vital Maria, e de Belém, dom Antônio de Macedo Costa, proibiram que os católicos de suas dioceses participassem de atividades maçônicas, perseguiram os padres desobedientes e precipitaram uma crise de proporções nacionais. O Império, procurando demonstrar firmeza no trato com seus subordinados, posicionou-se favoravelmente aos padres punidos e, em 1874, prendeu e condenou os dois bispos a quatro anos de prisão e trabalhos forçados. A atitude da Monarquia não só originou um atrito diplomático com o Vaticano, como estimulou as forças de oposição na Igreja. Nem mesmo a anistia aos dois bispos, decretada no ano seguinte por d. Pedro II, conseguiu reverter as más relações entre o clero e o Império.

A farda contra o Império (A Questão Militar)

Os incidentes que, na década de 1870, indispuseram a Igreja e o Império estavam já mais ou menos superados quando ocorreu a chamada Questão Militar. Na realidade, foram vários episódios que deterioraram as relações entre a Monarquia e os militares e que afastaram o Exército do Governo. A oficialidade voltou  da guerra do Paraguai consciente de sua importância na vida nacional e disposta á ação política. Mais de uma década após longos anos de combate no Paraguai, os militares estavam cada vez mais desolados com a corrupção existente na vida pública e na política monarquista. Aos poucos, foram se considerando incumbidos de uma missão salvadora, em que a dignidade da farda se opunha aos políticos civis, os “casacas”, “aproveitadores da miséria do País”. O ponto de partida para as questões militares foi a proibição, em 1884, aos oficiais do Exército de se manifestarem publicamente por meio da imprensa sem a devida licença do ministro da Guerra. Entre 1884 e 1887, o Império pressionou e puniu os oficiais que desobedeceram a esta orientação. Chefes influentes como o tenente-coronel Antônio de Sena Madureira, o coronel Ernesto augusto da Cunha Matos e até mesmo o marechal de campo Manuel Deodoro da Fonseca foram perseguidos. A repressão imperial aumentou a agitação política nos quartéis e empurrou ainda mais os militares para as idéias republicanas. Poucos anos depois, a corporação não hesitaria em depor a Monarquia, abrindo fogo contra seus inimigos.

Questões sobre o texto:
I – O que era o regime de padroado?
II – O que fizeram os bispos de Olinda e de Belém em relação à maçonaria? Qual foi a atitude do governo imperial em relação ao caso?
III – Quais os episódios que deram origem à Questão Militar?
IV – O que fez o Império diante a desobediência dos militares do Exército?
V – Quais as conseqüências da repressão Imperial?

sábado, 10 de dezembro de 2011

Texto complementar: O Rio de Janeiro na época de dom João


Com a chegada da família real portuguesa e seus 15 000 acompanhantes, a vida no Rio de Janeiro sofreu grandes mudanças. É o que nos relata o texto que segue.


            Nessa época, a cidade oferecia poucas distrações: as famílias ricas iam a espetáculos, embora fossem de má qualidade, freqüentavam bailes familiares e os homens, reuniões de jogo. Praticamente não existia a vida noturna por causa da falta de iluminação.           Nas procissões e nas festas religiosas, toda a população da cidade tomava parte.
            Quando foi inaugurado o Passeio Público, algumas famílias logo o transformaram em ponto de encontro entre parentes e conhecidos que lá se reuniam à tardinha para contar os fatos do dia e as últimas notícias.
            Esse tipo de vida calma e aparentemente sem preocupações foi de um dia para o outro revolucionado pela chegada da família real portuguesa e toda a sua corte. Para atender às exigências, foram logo construí das novas casas e reformadas as existentes. Os balcões fechados com madeira trançada, as rótulas, começaram a ser substituídos por janelas com vidraças. Começaram a aparecer também residências isoladas, longe do centro, em meio a jardins, com muitas árvores e gramados.
            Seguiu-se toda uma série de modificações introduzidas pelos comerciantes vindos sobretudo da Inglaterra e da França, após a abertura dos portos. No centro da cidade, na rua do Ouvidor, instalaram-se inúmeras lojas cheias de artigos europeus e orientais, dos mais finos. Surgiram livrarias, perfumarias, tabacarias, lojas de calçados, oficinas de costureiras e de modistas, salões de barbeiros e cabeleireiros. Tudo isso foi modificando, aos poucos, gostos, hábitos e costumes da população, introduzindo na cidade noções de conforto desconhecidas até então.
            Para assegurar o progresso material foi necessário um número maior de pedreiros, carpinteiros, ferreiros, de pessoas, em suma, especializadas em vários ofícios; daí foi surgindo aos poucos uma nova camada social, a pequena classe média, intermediária entre os escravos e os ricos e nobre.
            As famílias de posses começaram a dar maior importância ao interior das casas, às peças de mobiliário, à decoração dos cômodos e, o que é importante, também aos trajes cotidianos e caseiros. Guarda-roupas e cômodas ocuparam os lugares tomados antes por arcas e baús.
            Consoles, pianos, poltronas, sofás, lustres, grandes espelhos foram importados de Londres e de Paris; na mesa tornou-se usual a louça inglesa e nas residências mais ricas adotaram-se banheiras em substituição às tinas para banho.
            A presença da corte portuguesa no Rio de Janeiro ofereceu à população oportunidades várias de divertir-se: festas, comemorações cívicas, procissões, desfiles, espetáculos teatrais mais freqüentes, concertos. A mulher pôde sair de seu isolamento, de seu mundo restrito a tarefas domésticas; nas residências particulares havia saraus, com recitais de piano e canto, danças e jogos; os parentes e vizinhos começaram a visitar-se com mais freqüência.
            A cadeirinha foi proibida de ser usada no centro da cidade para facilitar a passagem de veículos. Nas ruas, além dos coches e das seges, começaram a circular carruagens puxadas por cavalos. A cidade foi se tornando, assim, mais colorida, mais alegre e mais comunicativa.
            Com o aprimoramento do gosto, dos hábitos e dos costumes houve também um aprimoramento cultural, através de novas escolas elementares, médias e superiores abertas não só no Rio como também em outras capitais de província. A imprensa difundiu-se e os livros começaram a circular fazendo crescer o interesse pela cultura e pelos estudos.
            Daí por diante, os filhos de senhores de engenho, dos fazendeiros e dos estancieiros vieram educar-se nos centros urbanos e, aos poucos, as capitais das províncias se modificaram sob a influência das transformações do Rio de Janeiro. Mas o Rio, como capital do Império, será o pólo de atração dos grandes proprietários de terras que, após a independência, ocuparão os cargos políticos de maior projeção.
                                                                                 
                                                           Sérgio Buarque de Holanda, História do Brasil.
                                                           São Paulo, Nacional, v.1, p.148-50

Questões sobre o texto.

[ 1 ] Como era a vida no Rio de Janeiro antes da chegada de dom João?
[ 2 ] Que modificações foram feitas na cidade a partir da chegada da família real portuguesa?
[ 3 ] Por que surgiu aos poucos uma pequena classe média?
[ 4 ] O que começaram a fazer as famílias de posses?
[ 5 ] Que novas oportunidades de diversão surgiram para a população?
[ 6 ] Em termos culturais, quais as conseqüências da transferência da família real para o Rio Janeiro?

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Texto complementar: O Absolutismo

A palavra absolutismo descreve os governos monárquicos nos quais o poder do __________, por não sofrer grandes limitações ou restrições, é considerado _________________ . Atualmente, essa palavra é utilizada em referência a sistemas de governos que existiram na ________________ entre os séculos XVI e XIX, sobretudo na França e na Inglaterra. Além da concentração de poderes nas mãos do governante, os governos absolutistas foram caracterizados pela existência de uma burocracia e de um exército centralizados. Os mais famosos governos absolutistas foram o de _____________________ na Inglaterra (1509-1547) e o de __________________ na França (1643-1715).
No final da Idade Média, com a expansão do comércio e o crescimento das cidades européias, cada vez mais os monarcas assumiram papel de destaque. Pouco a pouco, o rei deixou de ser apenas mais um entre tantos senhores feudais e passou a centralizar o poder em torno de si, cuidando dos impostos e mantendo um ___________________ encarregado de garantir a segurança da população.
Alguns autores, a partir do século XVI, escreveram algumas obras com teores políticos que ajudaram a fortalecer e justificar o poder dos reis. O primeiro autor moderno a escrever uma obra exclusivamente sobre política foi Nicolau Maquiavel, que o publicou o __________________ em 1513. Segundo Maquiavel o governante “não precisa ser piedoso, fiel, humano, íntegro e religioso, bastando que aparente possuir tais qualidades. [...] Um príncipe não pode observar todas as coisas a que são obrigados os homens considerados bons, sendo freqüentemente forçado, para manter o governo, a agir contra a caridade, a fé, a humanidade, a religião [...]. o príncipe não deve se desviar do bem, se possível, mas deve estar pronto para fazer o mal, se necessário”. Na França, os inúmeros conflitos religiosos envolvendo católicos e protestantes podem ter influenciado Jean Bodin, no século XVI, e Jacques Bossuet, no século XVII, a afirmar que o poder do rei deveria ser ____________________. Segundo esses autores, os monarcas seriam representantes de Deus na Terra. Esse conjunto de idéias ficou conhecido como Teoria do ________________ Divino.
Hoje sabemos que o poder dos reis absolutistas na era, de fato, absoluto. Apesar de centralizado e forte, o poder absolutista era limitado pela tradição, pelos costumes, pela Igreja Católica, pelos privilégios da nobreza e por ___________________, que tem a função de fazer as leis e aprovar os atos do governo. 


Aqui vai uma pequena “ colinha ” para ajudar você preencher as lacunas do textoRei; povo; Príncipe; direito; Henrique VIII; exército; castelo; Europa; ilimitado; parlamentos; Luis XIV; limitado; absoluto; burguesia; contrato; Lutero; Brasil; Vasco da Gama; Elizabeth I; João Calvino; República.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Texto complementar: Os Bandeirantes

Você vai ler dois textos de historiadores que apresentam interpretações diferentes sobre os bandeirantes. Leia e depois responda às questões.

         Tão notável se fez a obra dos bandeirantes paulistas que, sem ela, não só o Brasil não seria tão grande em território como a nossa própria história não se teria orientado como se orientou.
(...)
         Os primeiros bandeirantes, portanto, não há dúvidas de que deram provas de grande coragem. E deve notar-se que em regra as bandeiras se compunham de mamelucos e índios mansos. Raramente iam a tais aventuras portugeses reinós. E, pois, aquela casta nova, formada de sangues tão diferentes, se mostrou capaz de grandes façanhas. Conserva-se em nossas tradições uma idéia do tipo do bandeirante: largo chapéu de palha desabado para trás, um ponche às costas e um saco de roupas, a tiracolo o chumbeiro e o polvarinho, ao ombro a espingarda, à cinta o facão; quase sempre barbas e cabelos crescidos: eis a figura daqueles novos cruzados.

POMBO, Rocha. História de São Paulo – Resumo didático. São Paulo Melhoramentos, 1918, p. 71-72, 74-76.
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         (...) A historiografia do bandeirismo se apropriou desse elemento [o mestiço], apresentando-o com cores novas: não mais como resultado de ligações ilegítimas, não mais como o fruto da deterioração dos costumes, como era apresentado na denúncia dos padres e bispos do período colonial, mas como um homem novo, nem europeu nem índio e sim a mistura de ambos (o mameluco). Este é pinçado da categoria da escória da sociedade, onde jazia até então, e alçado à condição de herói.
(...)
Ao resgatar o mameluco e transformá-lo num ser de características excepcionais, membro da “raça de gigantes”, a historiografia do bandeirantismo resgata grande parte da população brasileira, composta de vários tipos de mestiços. Além disso, resolvia um impasse que havia atormentado a intelectualidade brasileira do século XIX, que era: como tornar desenvolvido um país povoado por mestiços e que havia sido colonizado por degredados? A miscigenação era transformada de entrave em vantagem. 

VOLPATO, Luiza. Entradas e bandeiras. São Paulo: Global, 1985, p. 17-19 (História popular, II.)

I. Quando os textos foram escritos?
II. Como o autor apresenta os bandeirantes? Que adjetivos e qualificações são atribuídos a eles? Com quem eles são comparados?
III. Qual a origem do heroísmo dos bandeirantes, segundo o autor? Você concorda com esta tese? Por quê
IV. No segundo texto, a autora defende que, a partir do século XIX, a miscigenação, que era antes considerada um entrave, passou a ser uma “vantagem”. Como isso se apresenta?
V. A quem interessava a mudança na interpretação da história brasileira, ao se referir à figura do bandeirante como herói nacional?



Vocabulário:
Reinos: provenientes do reino, ou que defendem os interesses reais.
Chumbeiro e polvarinho: lugares onde se colocavam, respectivamente, o chumbo e a pólvora usados nas armas de fogo.
Degredados: condenados europeus que vinham cumprir pena como colonos na América.