sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Projeto - Teatro do Dia Nacional da Consciência Negra.

Um pequeno apoio para os colegas professores que pretendem realizar algumas atividades em comemoração ao mês ou mesmo ao dia que celebra-se a Consciência Negra no Brasil, é sabido que o estudo da história e das manifestações culturais que estão relacionadas a cultura afro-brasileira devem ser trabalhadas durante todo o ano letivo, mas também não é segredo que durante o mês de novembro, especialmente no dia 20 (Dia Nacional da Consciência Negra) as escolas reservam um espaço em suas programações pra destacar a temática. Pensando nisso, rascunhei um pequeno texto (que humildemente chamo de teatral) que talvez possa ajudar os colegas professores a trabalhar o tema. O texto está sendo disponibilizado para quem interessar usá-lo, pode ser alterado ou acrescentado, de acordo com sua necessidade ou criatividade, apenas peço que seja dado crédito ao autor e que aqueles que por ventura realizarem o teatrinho, me informem pelo blog, e-mail, Twitter ou Facebook, se possível com fotos da apresentação, para que eu possa matar a minha curiosidade e ver se realmente a ideia foi proveitosa. 


Apresentador: O apresentador deverá falar sobre a importância de se trabalhar o tema na escola, sobre a lei 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que define as orientações sobre o estudo da História afro-brasileira e da história da África e dos africanos e a da importância do dia Nacional da Consciência Negra.

Cena 01:
Professor: Bom dia turma! Hoje, dia 20 de novembro, comemora-se o Dia Nacional da Consciência Negra, pois nesse mesmo dia morreu...

Aluno 1: “Oô fessô”, com licença! Me desculpe! Mas sai ano, entra ano e ouço falar de dia da Consciência Negra, mas nunca consegui entender por que esse dia é tão importante, nem feriado é.

Aluno 2: Então deixa o professor explicar, uai!

Aluno 3: Sai pra lá, puxa saco!

Todos: Murmurinho de briga.

Professor: Calma, calma turma!

Aluno 1: (Levanta a mão) Desculpa professor, eu não queria arrumar confusão, eu sou novo nessa escola, mas por onde passei, nesse dia eu só via uns cartazes com imagens de escravos, algumas frases e nada mais.

Professor: Infelizmente mesmo sendo tão importante, poucos dão valor a este dia, na maioria das vezes porque não conhecem o seu significado histórico. 

Aluno 4: Mas se o dia é para ser comemorado hoje, pra que falar em história, essas coisas que aconteceram a centenas de anos e não nos serve para nada?

Professor: Engano seu meu jovem, se nós podemos comemorar esse dia é por causa da luta histórica dos negros, desde aqueles que chegaram nos navios “tumbeiros”, os que sofreram nos quase quatro séculos de escravidão no Brasil, até os que buscam um espaço nessa sociedade de hoje.

Aluno 5: (Levanta a mão) Navios tumbeiros? Mas não são Navios Negreiros, professor?

Aluno 4: E a escravidão? Foi tão dura assim?

Professor: Acredito que a escravidão foi muito mais dura e perversa que os livros nos contam, imagine só: você está trabalhando tranqüilo em sua aldeia, junta a sua família, e de repente chega um grupo de pessoas e capturam vocês, os espancam, amarram a todos, os fazem andar quilômetros até chegarem a um porto e os colocam em um navio cheia de gente estranha...

Aluno 5: Os Navios negreiros?


Professor: Sim! Isso mesmo! Navios negreiros! Mas também são chamados de tumbeiros, pois boa parte das pessoas que foram amontoadas em seu porão, frio e fedorento, eram alimentadas com uma comida horrível e escassa, muitas dessas pessoas não sobreviviam a esta viagem, morriam de doenças ou até suicidavam-se e não chegaram ao seu desconhecido destino, na verdade era só o começo do inferno.

Aluno 2: Então professor? Quer dizer que todos os negros no Brasil são descendentes de escravos?

Professor: Não! “Não são descendentes de escravos! São descendentes de seres humanos que foram escravizados.” É bom lembrar que os indígenas também sofreram muito com a escravidão.

Aluno 3: Então parece que eles sofreram bastante mesmo!

Professor: A condição do escravo sempre foi de humilhação, dor, sofrimento e violência. Acredito que vocês possam imaginar isso!

Fechamento da Cena 01: Se possível utilizar um vídeo mostrando o navio negreiro (Cena do filme Amistad) e imagens de escravos no Brasil, utilizar a música “Retirantes” da novela Escrava Isaura e ao mesmo tempo entrariam alguns alunos representando escravos sendo açoitados e humilhados.

Cena 02:
Aluno 01: Acho que consegui imaginar o martírio dessas pessoas!

Professor: Sem falar que aqueles que chegavam ao Brasil, por exemplo, eram leiloados para trabalharem até 16 horas por dia, nas lavouras de cana, café ou nas minas de ouro e diamante e outras diversas atividades, nos períodos colonial e imperial de nossa história, praticamente todo trabalho braçal era feito por escravos.

Aluno 03: Mas a princesa Isabel assinou a tal lei, acabou a escravidão e acabou o sofrimento. Não é?

Professor: Infelizmente não! Nesses quase quatrocentos anos de escravidão no Brasil, os negros se rebelaram, fugiram, lutaram contra o cativeiro, mas, depois da Lei Áurea, que pôs fim à escravidão começou outra luta, agora para o negro ser reconhecido como cidadão.

Aluno 02: Como assim professor?

Professor: A escravidão acabou, mas a mentalidade escravocrata e racista permaneceu em nossa sociedade, especialmente entre as elites, que viam o negro como bandido, vagabundo e agora sem saber o seu lugar.

Fechamento da cena 02: utilizar um vídeo mostrando imagens mis recentes, ligadas ao preconceito, racismo e miséria. Utilizar como fundo a música “Esse negro não se enxerga – botocotó” da novela Sinhá Moça. Utilizar um grupo de alunos vestidos com roupas contemporâneas, mostrando classes sócias diferentes, mas enxotando um negro e talvez fazendo algumas ações da canção.

Cena 03:
Aluno 01: É por isso que comemorasse o Dia da Consciência Negra em nosso país?

Professor: Isso mesmo. Nesse dia rememoramos a luta dos negros escravizados e seus descendentes, luta por direitos, dignidade e valorização de sua cultura. Honramos a luta de Zumbi dos Palmares, Ganga-Zumba, Anastácia, Luiz Gama, Abdias do Nascimento, entre outros que deram suas vidas por uma causa, a de ver o negro livre e respeitado.

Professor: Pena que foi através da escravidão que os negros africanos chegaram ao Brasil, por que junto com os europeus e os índios, ajudaram a fazer do Brasil um país miscigenado, multicultural e lindo.

Fechamento do teatro: Utilizar um vídeo com a música “o Brasil é isso aí” de Arlindo Cruz e Marcelo D2, a ideia é que todos que participaram do teatro venham a frente e dancem ou pelos menos se mecham.

Apresentador: Talvez seria interessante o apresentador citar durante a música algumas contribuições dos povos africanos para  a cultura brasileira, como por exemplo a capoeira, o samba, o maracatu, o candomblé  alguns pratos típicos, algumas palavras do nosso vocabulário, etc.

Professor Pedro Paulo Dias
www.historiapensante.blogspot.com 

5 comentários:

  1. parabens amei o texto e os videos

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  2. vou utilizar seu texto com algumas adaptações,invés de vídeo os alunos é que vão encenar no final de cada ato,no final vou usar a música do Arlindo cruz,e os alunos irão tocar instrumentos que já confeccionamos com materiais recicláveis,enquanto dançam. você acha que dá pra apresentar no quadra da escola sem microfone?pois só tenho um microfone.

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  3. Trabalhei esta peça o ano passado foi um show, todos ficaram encantados. obrigada, Deus te ilumine sempre.

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  4. Olá, como estão?
    Deixo-lhe uma obra musical composta em homenagem a Zumbi e todos os que habitaram o Quilombo dos Palmares. É universalmente livre, pois eu dei para o domínio público.
    Aqui está o link para o meu site onde se pode ouvir, baixar e compartilhar com aqueles que querem:
    www.unirmusica.com/christianmfantin
    Espero que este comentário seja do seu agrado e gostem deste humilde tributo.

    Christian

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